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A 21ª Mostra de Cinema de Ouro Preto começa no dia 25 de junho

Mostra no cenário barroco da Praça Tiradentes- Foto: Luz Comunicação

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega à sua 21ª edição reafirmando o cinema como patrimônio cultural e espaço de construção da memória coletiva, com uma programação dedicada à preservação audiovisual, ao protagonismo das mulheres no cinema e ao papel da educação na formação do olhar.

De 25 a 30 de junho de 2026a cidade histórica de Ouro Preto recebe realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes e público de diferentes regiões do país para refletir sobre o tema central desta edição: “Um país existe nas imagens que preserva”. A proposição toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil.

om patrocínio máster da PETROBRAS via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a CineOP é o único evento brasileiro dedicado à articulação entre preservação, história e educação no campo audiovisual. A Mostra promove uma programação inteiramente gratuita que reúne exibições de filmes, pré-estreias nacionais, mostras temáticas e competitivas, homenagens, debates, encontros, sessões cine-escola, oficinas, masterclasses, lançamento de livros, exposição e atrações artísticas.

As atividades acontecem em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com oCine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br.

Homenagem: O  contracinema  de  Helena Solberg

A cineasta carioca Helena Solberg é a homenageada da 21ª CineOP. Em 1966, realizou A Entrevista, considerado o marco do cinema realizado por mulheres no Brasil e frequentemente apontado como o primeiro filme feminista da produção moderna brasileira, no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e trabalho.

Radicada nos EUA a partir dos anos 1970, desenvolveu a Trilogia da Mulhe – The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977) – produzida no âmbito do International Women’s Film Project, coletivo que liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas em Chile, By Reason or By Force (1983).

No Brasil, dirigiu o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995), que busca resgatar a identidade real da artista para além da caricatura hollywoodiana, e Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento político em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de uma vítima de aborto clandestino, e Uma Carta para Beatrice” (2022), no qual revisita a própria trajetória.

A programação reúne 139 filmes – longas, médias e curtas-metragens brasileiros e internacionais distribuídos em mostras temáticas, contemporâneas, competitiva, mostrinha e sessões cine-escola.

A sessão de abertura, na Praça Tiradentes, apresenta dois filmes da cineasta homenageada: A Entrevista (1966), o curta documental que reuniu depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e submissão ao marido, e “Meio Dia (1970), curta ficção rodado em São Paulo. A exibição em cópia restaurada de O Ébrio” (Gilda Abreu, 1946), que acompanha a ascensão e a crise moral de um jovem interiorano que se torna cirurgião de sucesso na cidade grande, é outro destaque da programação, na Praça Tiradentes

Debates, rodas  de conversa   e  encontros  estratégicos

A CineOP realiza dois encontros estruturantes para o setor: 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XVIII Fórum Latino-americano de Educação, Cinema e Audiovisual, espaços de articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o audiovisual e a educação.

O Debate Inaugural enfoca o tema central desta edição Um País Existe nas Imagens que Preserva” reúne perspectivas diversas sobre memória coletiva, políticas públicas e identidade nacional, com participações de Frei Betto, escritor e teólogo; Lúcia Murat, cineasta; Jandira Feghali, deputada federal (a confirmar); Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual; Sidônio Palmeira, Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República(a confirmar); Luciano Campos da Silva, reitor da UFOP; e Marcelo Azevedo Maffra, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais e coordenador Estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC). A mediação é da professora e pesquisadora Laura Bezerra (UFRB).

Na Temática Histórica, três rodas de conversa estruturam o ciclo Memórias dos Primeiros Filmes. A primeira reúne a cineasta homenageada, Helena Solberg, e Lúcia Murat para discutir dois filmes inaugurais de caráter político separados por mais de 20 anos. A segunda mesa convida Tata Amaral e Viviane Ferreira a falar sobre como contornaram estruturas de poder para concretizar seus primeiros longas. A terceira reúne Clarissa Campolina e Luna Alkalay em diálogo sobre trajetórias que dobraram o curso da história.

Na Temática Preservação, o debate Gestos Pioneiros: a Construção da Memória do Cinema Brasileiro revisita figuras fundadoras do campo, como Jurandyr Noronha, Jota Soares, Valêncio Xavier e Pedro Lima, com presenças de Arthur Autran (UFSCar),Carlos Alberto Mattos (crítico e pesquisador), Solange Stecz (Unespar) e Luciana Araujo (UFSCar). O debate Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro? discute como a crescente concentração tecnológica afeta a preservação e conta com Carla Bezerra (Assessora Especial – MGI), Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) e Fabio Tzusukidiretor do Media Portal Soluções Ltda, com mediação de André Bonfim, documentarista e pesquisador associado à PAVIC.

Na Temática Educação, o debate Diretrizes de Artes na Base Nacional Comum Curricular questiona por que a linguagem cinematográfica ainda não aparece nomeada como linguagem artística específica nos currículos escolares e convida Analice Dutra Pillar (UFRGS), Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Juliano Casimiro (UFT), mediados por Adriana Fresquet. Já o debate Cinema, Educação e IA na Era Digital reúne Edméa Santos (UFRRJ), Flora Ariza, pesquisadora e consultora Unesco/MEC, e Lucia Santaella (PUC-SP) para refletir sobre riscos da plataformização e o futuro do cinema na escola, sob mediação de Isaac Pipano (UFF).

Lançamento  de livros, exposição  e atrações  artísticas

Entre as atrações culturais da 21ª CineOP, o Cortejo da Arte percorre as ruas históricas de Ouro Preto com bandas, grupos folclóricos e artistas convidados. A Festa Junina – Arraiá da CineOP integra a Mostra Valores e reúne grupos da cidade para um dia festivo que valoriza a arte, os sabores e as tradições locais, beneficiando instituições sociais do município.

A programação inclui ainda o lançamento de livros e sessão de autógrafos com a presença dos autores, no dia 28 de junho, às 12h30, no Centro de Artes e Convenções da UFOP, promovendo o encontro entre público, pesquisadores e profissionais do audiovisual em torno de publicações dedicadas ao cinema, à preservação e à educação.

O Cine Lounge Show movimenta as noites da CineOP com apresentações que atravessam diferentes estilos e gerações. A programação reúne a Tropikaus, banda ouro-pretana que celebra a diversidade da música brasileira em um repertório vibrante e contemporâneo; a Retrowave, que resgata clássicos do rock das décadas de 1980 e 1990; o DJ Cabra Guaraná, que mistura brega, funk, piseiro, paredão e eletrônica em sets marcados pela energia e brasilidade; e a Hocus Pocus, referência na cena musical mineira há quatro décadas com seu tributo aos Beatles.

Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br

*Conteúdo: Wandra Araújo/Luz Comunicação

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