Tenho 31 anos. Acompanho a Copa do Mundo conscientemente desde 2006. Me lembro bem de assistir, na casa da Tia Lu, Roberto Carlos dormir no ponto e Thierry Henry acabar com o sonho — ainda existente — do hexa.
Sou desses que não se importa com o tamanho da camisa de quem está em campo. Até porque, para mim, a magia da Copa extrapola os gramados. Significa a integração de diferentes povos e culturas, a fugaz alegria que distensiona o planeta em meio às suas complexas relações políticas.
Por isso, me decepciono ao ver a Copa do Mundo de 2026 seguir o caminho contrário. Com a permissão da Fifa de Gianni Infantino, Donald Trump trata a competição como uma extensão do seu autoritário projeto político. Com o mesmo ódio com que conduz a nação mais poderosa do mundo, ataca jogadores, árbitros e quaisquer outros representantes dos países hoje considerados inimigos por ele.
Torcedores de Irã, Senegal, Haiti e Costa do Marfim, proibidos de entrar nos Estados Unidos, não poderão apoiar suas seleções. Argelinos, tunisianos e cabo-verdianos, por outro lado, terão que desembolsar valores significativos para acompanhar seus representantes in loco. O árbitro Omar Artan se preparava para ser o primeiro somali da sua profissão a trabalhar em uma Copa do Mundo, mas viu o sonho acabar ao ser mandado de volta para casa pelos americanos.
Não há critérios, tampouco explicações lógicas. Omar, por exemplo, possuía visto para atuar normalmente no Mundial, afirmam as autoridades da Somália. Há apenas o ódio e a contradição de uma Copa em um país que odeia boa parte do Mundo.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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