Belém viveu nesta segunda-feira (10), palco de protesto marcando o encerramento do primeiro dia oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
A manifestação teve início com a projeção em um prédio servindo como tela para exibir o protesto com os dizeres: “Acabou o Tempo para a Justiça Climática”. Logo depois, foi inflada uma cobra de 6 metros que bloqueou a Avenida Presidente Vargas por ao menos 20 minutos.
A campanha “A gente cobra”, foi criada pela Aliança dos Povos pelo Clima, reunindo lideranças indígenas, como o cacique Raoni e o ambientalista Ailton Krenak, exigindo que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) destine metade dos recursos diretamente às comunidades tradicionais.
O TFFF, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de novembro, e busca arrecadar US$ 125 bilhões para conservação das florestas tropicais, mas, até agora se apresenta como fiasco, com a promessa de somente US$ 5,6 bilhões.
Além de pedir o repasse, avaliado em US$ 2,8 bilhões, os manifestantes exigem também que as próprias comunidades indígenas administrem o fundo e também seja criada uma taxação global sobre fortunas e lucros considerados excessivos.
Com baixa adesão de líderes mundiais ao evento, a COP30 vem sendo chamada de FLOP30 até mesmo por defensores históricos da causa ambiental.
A Cúpula dos Chefes de Estado abriu a conferência na quinta-feira, 6, com apenas 28 líderes, número bem abaixo dos eventos anteriores.
Prestigiaram a conferência 15 presidentes, 11 primeiros-ministros e dois representantes da realeza, número que provocou publicações nas redes sociais insinuando a falta de força do evento e o descrédito do governo Lula diante de líderes mundiais.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que o seu país apoia o TFFF, mas, não anunciou aportes ao mecanismo de Lula, afirmando que “isso leva tempo”.
Será difícil o governo Lula atingir a meta de US$ 125 milhões pretendidos. O Reino Unido, Estados Unidos e a Espanha não confirmaram investimentos durante a COP30 e as críticas ao evento vieram até do músico Paul McCartney, que enviou carta ao presidente da conferência, André Corrêa do Lago, criticando o cardápio do evento por incluir carne.
Não bastasse o relativo descaso do mundo com a conferência, a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva (Janja) alimenta o desagrado entre a mídia presente, com provocações que se tornam rotina em suas aparições.
Desta feita, ao acompanhar o presidente Lula na abertura oficial da COP30 em Belém, a petista provocou os jornalistas.
Em uma visita a uma área próxima de onde emissoras de televisão e portais de notícias instalaram seus estúdios, Janja, em tom irônico, perguntou aos profissionais da imprensa: “Já compraram coxinha”.
A frase ocorre em meio a repercussão negativa quanto aos altos preços praticados pelo comércio durante o evento,
Um jornalista da CNN reclamou em seu perfil no Instagram que precisou gastar R$ 99,00 para consumir um refrigerante e dois salgados.
Certamente a provocação de Janja à imprensa prejudica a imagem da COP30 no Brasil.

