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A indicação do novo ministro do STF virou tremenda encrenca para Lula

A indicação do novo ministro do STF virou tremenda encrenca para Lula

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva chega às margens do Rubicão do seu terceiro mandato com imenso abacaxi nas mãos. A escolha do substituto de Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal (STF) está tirando o sono. O imbróglio tem potencial para impactar nas eleições de 2026. O script apresenta relativa tensão. Pode-se afirmar — com possibilidade mínima de desacerto — que a precoce aposentadoria de Barroso veio em hora incerta, indevida e inapropriada.

Nesta conjuntura, a dramaturgia lulista atende por dois nomes: Rodrigo Pacheco e Jorge Messias — o advogado-geral da União. Qual deles ocupará a vaga de Luís Roberto? A dúvida é shakespeariana ou dantesca. Haja inferno! O chefe do Executivo nacional embrenhou-se num mato sem cachorro. O velho sindicalista anda indeciso. O inesperado desaguou numa das perigosas encruzilhadas brasilienses. Não há como escapar da armadilha do destino. Descascar o abacaxi preciso é.

Luiz Inácio prometeu desatar o “nó górdio” depois do seu giro pela Ásia. E nada aconteceu. Veio a COP30. E tudo continuou na inércia. E qual a causa de tamanha “lesmice”? Um arrasta- pé caipira provocou a morosidade. Uai! O Manda-Chuva do Palácio do Planalto tenta enfiar Rodrigo Pacheco na corrida eleitoral pela “Cidade Administrativa” de Minas Gerais. E, ao que tudo indica, nem existe “plano B” nesta parada. É o senador ou buraco negro. A carência de opções ilustra o atual cenário mineiro. A esquerda das Alterosas encontra-se em frangalhos. A desastrosa administração do ex-governador Fernando Pimentel destroçou o campo progressista das montanhas.

E ainda resta outra imensa pedra no meio do caminho. O sonho de consumo de Pacheco é o cargo de juiz do STF. Este desejo vem repleto de cumplicidade. A elite política da capital federal compartilha o mesmo tesão. E mais. O ex-dirigente do Senado já percebeu que concorrer ao governo das Gerais é certeza de embarque numa canoa furada. O STF- com apoios à direita e à esquerda- é bem mais palatável. A obsessão do mineiro de Rondônia   conta também com a simpatia de pessoas de peso do Judiciário.   Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, por exemplo, ssãosão “pachequistas” desde crianças.

Lula, no entanto, não dá o braço a torcer.  A teimosia companheira caminha em direção à perigosa areia movediça. E por simples motivo. Jorge Messias enfrenta forte rejeição no Congresso. Para os integrantes do parlamento, Messias é mais petista que garantista.  Não seria, portanto, confiável.  Nesta configuração, o doutor maior da União corre sério risco de ser reprovado na burocrática sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.  Caso persista na sua obstinação, Lula pode se meter numa crise institucional.  Davi Alcolumbre — um fundamental aliado — também aposta todas as suas fichas na designação do representante da terra de Tiradentes.

Este impasse acontece em momento inoportuno para o lulopetismo. O país já entrou na antessala do pleito presidencial do próximo ano. O governo alcançou as margens do Rio Rubicão e o mergulho em águas revoltas não é bom conselho. Há grave tendência de afogamento. Afinal, nem todo César é Júlio César. Alea jacta est.

P.S.: apenas em cinco oportunidades- nos 136 anos de história da República- o Senado vetou as indicações do chefe do Executivo à Suprema Corte.  Todas durante o governo do autoritário Floriano Peixoto (1891 a 1894). Na época, o presidente vivia em clima de arranca-rabo com o parlamento. Lula pretende repetir a façanha do “Marechal de Ferro”?

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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