Site icon DeFato Online

Acordo põe fim a impasse e define remoção de famílias às margens da BR-381, a ‘Rodovia da Morte’

Fotos: DNIT – Programa Concilia BR-381/MG

Após anos de impasse e incertezas, o futuro das famílias que vivem às margens da BR-381, entre Santa Luzia e Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, começa a ser definido. Na próxima sexta-feira (7), será homologado o acordo firmado entre a Prefeitura de Belo Horizonte, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Regional Federal (TRF), que prevê a remoção e realocação de cerca de 300 famílias da comunidade Vila da Luz.

O entendimento encerra uma das disputas mais antigas relacionadas à duplicação da BR-381, conhecida como a “Rodovia da Morte”. A área ocupada há décadas se tornou um dos principais entraves para a execução das obras, especialmente nos lotes 8A e 8B — trechos mais próximos da capital mineira e considerados os mais complexos do projeto.

Duplicação e desafios

O trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares é alvo de obras de modernização há anos. A duplicação da BR-381 é vista como essencial para reduzir o número de acidentes e melhorar a fluidez no transporte de cargas e passageiros.

Os lotes 8A e 8B, sob responsabilidade direta do governo federal, compreendem aproximadamente 31 quilômetros — entre o entroncamento de Caeté e o Anel Rodoviário de BH, passando por Ravena e pela Vila da Luz. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), as obras, inicialmente previstas para começar em 2025, devem ser iniciadas em 2026.

“É aceitar ou aceitar”

Para quem vive há décadas na região, o momento é de apreensão e, ao mesmo tempo, de resignação. Rômulo Januário, de 38 anos, motorista de aplicativo, nasceu e cresceu exatamente onde a obra começará, no trevo entre Sabará e Santa Luzia.

Pra mim, é uma possibilidade de recomeço. A maioria dos moradores entende que a mudança é necessária, mas toda mudança é desgastante. Mesmo que a gente não concordasse, só adiaria o processo. A obra tem que ser feita de todo jeito. Então, esse lugar já não é mais nosso. A verdade é que pra gente é aceitar ou aceitar”, afirma Rômulo.

Recomeço e expectativa

De acordo com a decisão judicial, as famílias serão reassentadas em novos conjuntos habitacionais que deverão ser definidos em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte e órgãos federais. O plano inclui acompanhamento social e indenizações para casos específicos.

O juiz federal responsável pelo processo destacou que a homologação representa um avanço significativo para destravar o projeto de duplicação e garantir a segurança dos moradores. “A realocação é uma medida de justiça social e de segurança pública. A ocupação nas margens da rodovia representa risco constante de acidentes graves”, pontuou.

Com o acordo firmado, o governo federal poderá dar prosseguimento às etapas de licitação e execução das obras. O objetivo é eliminar um dos gargalos históricos da BR-381 e, finalmente, dar início à tão aguardada transformação da “Rodovia da Morte” em uma via mais segura e moderna para Minas Gerais.

Exit mobile version