Durante depoimento na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) nesta segunda-feira (01/09), o advogado Eli Cohen afirmou ter recorrido à imprensa para revelar as fraudes no INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), após não ter obtido resposta das autoridades sobre a notícia-crime que havia protocolado sobre o esquema de descontos indevidos em pagamentos de aposentados e pensionistas.
Cohen disse ter acumulado documentos, registros eletrônicos e troca de mensagens entre empresários que indicaram o uso irregular de dados pessoais e a participação de empresas privadas nos desvios e que havia protocolado a notícia-crime em 06 de março de 2023, na Terceira Delegacia do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São Paulo.
Questionado sobre qual providência havia tomado, o advogado afirmou que “investigaram um pouco e, de repente, não passaram mais a investigar” e que depois de 2 meses, concluiu que “nada ia acontecer”, a partir do que tomou outras “providências”.
Segundo Cohen, ele procurou um jornalista da revista Veja, que deu “uma notinha”.
Após a “notinha”, Cohen foi procurado por um jornalista do Metrópoles, a quem repassou todas as informações que tinha.
“Ele (jornalista do Metrópoles) não tem os equipamentos e ele não tem o Know-How que nós temos ali à disposição. E, aí, ele me pediu se eu poderia fornecer para ele. E eu falei: Mas é claro!, E forneci tudo. Foi graças a ele que se amplificou essa nossa investigação e nós estamos aqui hoje”.
O depoimento do advogado foi solicitado pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) e pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Fabiano Contarato (PT-ES).
Cohen foi um dos primeiros a investigar os descontos dos aposentados e começou a se inteirar sobre o assunto em 2021, depois de ser procurado pelo gestor de uma das dezenas de entidades autorizadas pelo INSS a ofertar a possibilidade de seus associados pagarem as mensalidades associativas por intermédio do desconto em folha, deduzindo os valores diretamente de suas aposentadorias e pensões.
Criada em agosto deste ano, a CPMI tem 180 dias para apurar os descontos indevidos, investigando o funcionamento do esquema, identificando os envolvidos e quantificando os danos individuais e coletivos, propondo meios de reparação e restituição integral dos valores cobrados ilegalmente.
*Fonte: Poder360

