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Afogado nas próprias convicções

Sérgio Sette Câmara é o maior culpado pelos seguidos vexames do Atlético - Foto: Leo Fontes / O Tempo

As demissões em massa Atlético foram diretamente proporcionais à desastrosa desclassificação da equipe diante do Afogados-PE, pela Copa do Brasil. O que preocupa, no entanto, é a reflexão necessária que precisa ser feita sobre a situação.

Alexandre Gallo, que nunca foi diretor de futebol, foi demitido do cargo no dia 30 de outubro de 2018. Rui Costa foi contratado no dia 11 de abril de 2019. 163 dias entre a demissão de um e anúncio de outro. O que Sérgio Sette Câmara teve, senão (muito) tempo para contratar um diretor, com convicção, para tocar um projeto?

Rui Costa chega, tem carta branca para contratações. Aposta em três estrangeiros. Fracassa nos três. Inexplicavelmente, Vagner Mancini é o escolhido para encerrar 2019. Mas permanece para o início de 2020. Rui Costa continua a ter carta branca para contratar em 2020. Melhora o elenco. Aprende com os erros e aposta em jovens, porém conhecidos e, sobretudo, bons jogadores. Enxuga o elenco e torna-se peça ativa na construção dele. E na contratação de um treinador para comandá-lo. 27 de fevereiro de 2020 e Rui Costa é demitido.

Carta branca, no futebol, nunca é totalmente branca. Rui Costa tinha autonomia, não a palavra final. Mas dois anos de contrato são oferecidos (e permitidos) a um treinador que é estrangeiro, é iniciante no futebol brasileiro e suas peculiaridades, e que sai de um trabalho esporádico de seleção direto para o caótico dia a dia de um clube. 54 dias depois, e todo o suposto projeto é demitido.

O cenário é autoexplicativo. As decisões são autoexplicativas. Mas é possível aprofundar. Do ultrapassado Oswaldo de Oliveira ao analista de desempenho Thiago Larghi. De um treinador inventado para o ultrapassado Levir Culpi. De Levir para o experimental em grandes Rodrigo Santana. Do ex-técnico da base para a escolha sem base de Mancini. Do tampão Mancini para o técnico de seleção Dudamel. De Dudamel para? Para Cuca, Mano Menezes, para o mais do mesmo. Porque o presidente nunca demonstrou ser capaz de sair do mais do mesmo. Não adianta dar tempo a quem não mostra competência. E não me refiro aos treinadores.

Leandro Colombo é graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770 e estagiário no Grupo DeFato
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