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Alçado pela oposição, Heraldo Noronha é eleito presidente da Câmara de Itabira

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Heraldo Noronha teve apoio de mais 8 vereadores - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato||Heraldo comemorou a vitória - Foto: Rodrigo Andrade/DeFato|Momentos antes da eleição

De sujeito tímido, calado, de poucas falas durante as reuniões, à presidência da Câmara. Com apoio da oposição, Heraldo Noronha (PTB) é o novo dono da principal cadeira do Legislativo de Itabira. Nesta terça-feira, 20 de novembro, ele venceu uma disputa apertadíssima contra Carlin Sacolão Filho (PODE) e ocupará o cargo durante o biênio 2019-2020.

A eleição teve clima de final de campeonato. Apesar de ser do mesmo partido do prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), Heraldo encampou o projeto de independência dos vereadores da oposição e de outros descontentes e aceitou encabeçar a chapa. A diretoria que assume no ano que vem ainda terá Reinaldo Lacerda (PHS), vice-presidente; André Viana (PODE), primeiro secretário; e Weverton Nenzinho (PMN), segundo secretário.

O placar da disputa terminou em 9 a 8. Além dos componentes da chapa, votaram em Heraldo: Jovelindo de Oliveira (PSC), Leandro Pascoal (PRB), Weverton Vetão (PSB), Reginaldo Santos (PTB) e Agnaldo Enfermeiro (PRTB). Já Carlin Filho foi para a eleição apenas com Solimar Silva (SD) de vice e os demais cargos a serem decididos depois. Eles tiveram apoio de Neidson Freitas (PP), Ronaldo Capoeira (PV), Paulo Soares (PRB), Rodrigo Diguerê (PRTB), Allaim Gomes (PDT) e Decão (PMDB).

Heraldo comemorou a vitória – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Processo acirrado

As articulações em torno da presidência da Câmara de Itabira já aconteciam há muitos dias, mas ganhou novos contornos desde essa segunda-feira, 19 de novembro, quando um grupo de vereadores decidiu apresentar o requerimento para que a eleição fosse disputada já nesta terça-feira.

Pelo regimento, a eleição poderia ser convocada a partir de 30 dias antes do encerramento do atual ano legislativo, que termina em 18 de dezembro. A previsão é de que o processo acontecesse no início do mês que vem, mas foi acelerado. Nos bastidores, a informação que circula é de que a pressa se deu justamente por causa do fortalecimento da chapa que encampava os vereadores da oposição. E a votação teve alguns elementos decisivos.

O primeiro deles é exatamente o candidato eleito. Nas conversas, Heraldo deixou claro que só toparia se aliar aos oposicionistas se fosse o cabeça. Caso contrário, votaria em Carlin Sacolão. Os vereadores, então, tiveram que convencer Reinaldo Lacerda a abrir mão da disputa para ser vice de Heraldo.

Mudança de voto de Jovelindo (d) foi fundamental para a vitória de Heraldo – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O segundo ponto crucial foi a mudança de voto de Jovelindo de Oliveira. Ele estava comprometido em votar com Carlin Filho, mas alterou seu apoio. “Pela primeira vez, terei que voltar atrás na minha palavra aqui neste plenário”, disse o parlamentar, antes de anunciar que votaria em Heraldo.

Por fim, foi fundamental a conquista do indeciso Weverton Nenzinho. Até momentos antes da eleição, representantes das duas chapas se aglomeraram em torno dele para ter o apoio. A apreensão ficou escancarada quando Nenzinho anunciou voto em Heraldo. Houve muita comemoração no plenário. A eleição se definiu ali, porque o último a votar seria o oposicionista Vetão. Ronaldo Capoeira e Paulo Soares também foram cortejados nos instantes finais, mas acabaram pendendo para o lado de Carlin Filho. “Eu não volto atrás”, disse Capoeira.

Momentos antes da eleição, Nenzinho foi procurado pelas duas chapas – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Independência

Os discursos da chapa vencedora tocaram todos no mesmo ponto: independência entre poderes. Heraldo Noronha reforçou que integra a base governista, inclusive no mesmo partido do prefeito, mas não deixou de apontar insatisfação com a atual relação entre Prefeitura e Câmara. Segundo ele, a vitória desta terça-feira “foi dos humildes”.

“A gente é base, não é contra o governo. O que a gente quer é uma coisa diferente, que a população seja ouvida e seja mais bem tratada”, disse o futuro presidente da Câmara, que prosseguiu: “A relação com o governo é a melhor possível, porque eu sou do governo. Eu sou do PTB, eu sou do governo, só que o que a gente está querendo é que a Câmara seja tratada melhor, que seja ouvida. Porque se ouvir a Câmara, está ouvindo o povo”.

Nenzinho, André Viana, Heraldo e Reinaldo Lacerda estarão na Mesa Diretora da Câmara – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Reinaldo Lacerda exaltou o acordo costurado junto à oposição e disse não ter tido problemas em abrir mão da disputa. “A gente tem que saber a hora”, comentou. “Esta é uma chapa unida, não é uma chapa de oposição ao governo. É uma chapa de independência da Câmara. Que sejam harmônicos os poderes Executivo e Legislativo. Só isso. Nada mais. Vamos trabalhar em conjunto e fazer valer o Legislativo”, acrescentou.

André Viana, um dos articuladores da chapa, afirmou que o grupo é “uma coalizão de pessoas que pensam diferente”. O atual vice-presidente, que passará a ser primeiro secretário a partir do ano que vem, defendeu que a eleição na Câmara servirá para fortalecer o Poder Legislativo e disse esperar que o clima de disputa seja logo dissipado. “Não tem inimizada nenhuma, é só realmente uma situação de disputa. Passada a eleição, que os vereadores possam se juntar para fazer o melhor para Itabira”, comentou.

Veja como foi a eleição:

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