O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não gostou nada da fala do presidente Lula (PT), quando disse que o Congresso “sequestrou” o Orçamento por meio de emendas parlamentares, e reclamou com integrantes do governo no Palácio do Planalto. A ligação ocorreu em frente a outros parlamentares, durante a sessão do legislativo.
Lula criticou o volume de emendas parlamentares durante a 6ª reunião do Conselhão, nesta quinta-feira (4), com empresários e representantes da sociedade civil.
“Não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato de o Congresso Nacional sequestrar 50% do Orçamento da União é um grava erro histórico. Mas você só vai acabar com isso quando mudar as pessoas que governam e que aprovam isso”.
A manifestação de Alcolumbre desagradou deputados e senadores da base aliada que se encontravam no plenário da Casa para uma sessão do Congresso. Um deputado ligou para o secretário especial de Assuntos Parlamentares da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), André Ceciliano, e repassou o telefone para Alcolumbre.
Segundo parlamentares, o presidente do Senado questionou, na presença dos demais, “que sequestro seria este”, já que estava trabalhando para aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) como o governo queria, e ainda atuado na ajuda aos Correios, com uma mudança na meta fiscal das estatais que permite que o Executivo não tenha que cortar despesas para compensar o prejuízo maior que a empresa dever registrar no próximo ano.
As emendas parlamentares são causa constante de atrito entre o Congresso e o Executivo ao longo do atual mandato de Lula, com o ministro Flávio Dino chegando a bloquear a execução desses recursos, cobrando maior transparência, o que foi interpretado pelos parlamentares como uma ação do Planalto para enfraquecê-los.
Congressistas afirmaram à Folha que a fala de Lula piora o clima no Legislativo e que poderia ter sido expressa em um momento mais tranquilo da relação, mas admitem que a atual conjuntura torna os ânimos mais exaltados.
Alcolumbre está distanciado do Planalto desde que o presidente escolheu o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para a vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre tem preferência por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para ocupara a vaga de Luís Roberto Barroso.
A partir daí, o presidente do Senado passou a atuar diretamente par derrotar Lula na votação, o que forçou o presidente a adiar a formalização do escolhido para segurar a sabatina até o próximo ano, esperando um momento menos tenso entre os Poderes.
A sessão desta quinta-feira foi o primeiro ato de reconciliação entre o presidente do Senado e o presidente da República, com a LDO sendo aprovada por consenso, e negociada com o Planalto.
Lula tem dito a aliados que pretende se encontrar com Alcolumbre para conversar e aliviar a relação.
*Fonte: Jornal de Brasília

