O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) marcou para 10 de dezembro a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ao Supremo Tribunal Federal (STF), contrariando a expectativa do Palácio do Planalto.
A ideia é não dar tempo para Messias peregrinar pelos gabinetes do Senado mobilizando lideranças evangélicas, integrantes do governo e ministros do Corte para quebrar a resistência ao seu nome.
Messias precisa de ao menos 41 votos dos 81 em disputa.
Alcolumbre praticamente dobrou a aposta, dando somente 15 dias para o advogado-geral da União angariar apoio à sua candidatura e, mais precisamente, 10 dias úteis dentro das atividades do Senado, tornando quase impossível seu contato com os 81 parlamentares da Casa.
Um interlocutor de Alcolumbre, ouvido de forma reservada, afirmou que o presidente do Senado não quer cometer o mesmo erro cometido quando da indicação de André Mendonça ao STF, em 2021.
Por ser judeu, Alcolumbre sofreu intensa campanha nas redes sociais por pastores amapaenses, acusando-o de promover uma “guerra santa” contra o “evangélico” André Mendonça, e trabalhou ostensivamente pela rejeição do seu nome.
O presidente do Senado tinha preferência pelos nomes do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e Augusto Aras, ex-procurador-geral da República papra as vagas que ficaram com Messias e Mendonça, respectivamente.
aliados de Lula acreditam que a estratégia de Alcolumbre pode lhe “custar caro”, caso ele não consiga derrotar Messias, ganhando um desafeto no STF pelo resto de sua vida. Mas, se ele tiver êxito derrotando Messias, de toda maneira, não vai conseguir o seu candidato na Corte Suprema.
Mendonça acolheu com entusiasmo o nome de Jorge Messias e se comprometeu reduzir sua rejeição no Senado e, principalmente na tropa de choque do grupo bolsonarista e na ala da oposição, que o veem ligado à ideologia petista e da confiança de Dilma e Lula.
Ambos são evangélicos; Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana e Messias da Igreja Batista.
No histórico das indicações ao STF, o Senado não rejeita uma indicação presidencial desde Floriano Peixoto, em 1894.
Neste terceiro mandato de Lula, houve uma indicação na área da Justiça barrada pela Casa, a de Igor Roque para a Defensoria Pública da União, rejeitado por 35 votos favoráveis e 38 contrários.
Roque, antes mesmo de ser confirmado, montou equipe, dava entrevistas e despachava como ministros de Lula, o que causou irritação entre senadores que acharam que ele sentou na cadeira antes da hora.
Messias, no entanto, tem demonstrado cautela e submergiu em meio à demora de Lula anunciar o sucessor de Luís Roberto Barroso, que antecipou aposentadoria no mês passado.
*Fonte: O Globo

