Logo após a derrota apertada na eleição para a presidência da Câmara de Vereadores de Itabira, o líder do governo Carlin Sacolão Filho (PODE) deixou o plenário ao lado dos colegas que apoiaram a sua chapa. Um pouco depois, passada a euforia dos vencedores, ele retornou para falar à imprensa sobre a disputa. Disse que aceita o resultado com tranquilidade, mas não deixou de lamentar a mudança de votos de parlamentares que haviam se comprometido com sua candidatura.
“A gente tem que estar preparado quando entra em uma disputa. Podemos ganhar, mas também perder. Eu vejo que o que tinha que ser feito, a gente fez. De forma cuidadosa, a gente conversou com as lideranças e pessoas envolvidas. Eu tinha uma determinada situação com o número de votos para conseguir me eleger. Mas, não sei por que, algumas palavras não se sustentaram até o final”, comentou Carlin, abatido.
De fato, alguns discursos durante a votação mostraram que houve mudança de rota de, pelo menos, dois vereadores. Jovelindo de Oliveira (PSC) não escondeu que havia se acertado com Carlin e depois mudou de ideia. “Pela primeira vez, estou voltando atrás com minha palavra”, comentou, ao anunciar voto em Heraldo Noronha (PTB). Outro que demonstrou certo constrangimento foi Weverton Nenzinho (PMN). “Carlin, te respeito muito, gosto muito de você, (…) mas não posso mais votar em você. Meu voto é para o Heraldo”, disse, para comemoração da chapa com vereadores da oposição.
“Faz parte da democracia, do processo, faz parte do jogo. Desejo boa sorte para a chapa vencedora. Aqui não tem ninguém inimigo de ninguém, não tem rivalidade nenhuma. Nós somos protagonistas das nossas vidas, mas estamos aqui de passagem e temos que deixar a vaidade de lado. Temos mais que nos unir”, afirmou Carlin. “Agora temos que trabalhar todos pelo bem comum, em busca de uma solução dos problemas e anseio da nossa sociedade”, acrescentou.
Líder do governo até o fim do ano, Carlin avalia que a vitória de Heraldo, apesar do apoio de nomes como Weverto Vetão (PSB), Reginaldo Santos (PTB) e Agnaldo Enfermeiro (PRTB), não representa um fortalecimento da oposição. Ele ainda comentou que acredita que o relacionamento será tranquilo com Heraldo Noronha na presidência.
Sobre sua continuidade na representação do governo da Câmara, Carlin respondeu que sua missão termina em dezembro, como já estava programado para acontecer. “Fiz o meu papel como líder de governo levando os anseios da população, defendendo aqueles projetos que a gente achava que era de extrema importância para solucionar os problemas da nossa cidade. Eu acredito que surja um novo nome ano que vem e que responda à altura (do cargo). Temos que diversificar mesmo”, pontuou.
Ao encerrar a entrevista, Carlin Filho disse não enxergar no fato de ser líder do governo um peso a mais para a derrota. E nem que a antecipação da eleição tenha influenciado no resultado. Por fim, novamente, deixou transparecer a mágoa com quem mudou de voto. “Esse resultado seria o mesmo em qualquer outro momento. O que me surpreende um pouco é algumas pessoas que tinham apertado a minha mão e firmado um compromisso, mas que voltaram atrás. Isso é uma coisa que não estou habituado, não estou acostumado com esse tipo de situação”, encerrou.

