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Aluna de 8 anos de Nova Era garante vaga em mundial de robótica no Canadá, e família mobiliza doações para levar a mãe como responsável na viagem

Aluna de 8 anos de Nova Era garante vaga em mundial de robótica no Canadá, e família mobiliza doações para levar a mãe como responsável na viagem

Foto: Reprodução/Acervo pessoal

Uma aluna de Nova Era, na região do Médio Piracicaba, se prepara para viver uma experiência educacional e pessoal única. Alana, de 8 anos, moradora da comunidade de Capoeirana, foi selecionada para representar o Brasil na etapa mundial da FIRA RoboWorld Cup, prevista para julho, no Canadá. A classificação veio após a equipe dela alcançar o sétimo lugar em uma etapa nacional realizada em São Paulo, resultado obtido com cerca de dois meses de preparação direcionada para a competição, segundo familiares.

A viagem das crianças está prevista para 14 de julho, com destino à província de Ontário, no Canadá, onde ocorre o torneio. A prefeitura de Nova Era informou à família que vai custear itens centrais da participação das estudantes, como passagens, hospedagem, documentação e logística para emissão de passaporte e visto. O ponto que abriu uma corrida paralela, porém, é a ausência de cobertura para familiares ou responsáveis legais, o que, para a família, pode comprometer a presença de Alana na delegação.

Alana vive com a mãe, Eliane Lopes da Silva, e conta com o apoio do primo Pablo Felipe da Silva Miranda, de 25 anos, que iniciou a mobilização nas redes sociais para arrecadar recursos. “Tudo será novo para ela, o avião, a viagem internacional, um país estrangeiro. A presença da mãe não é detalhe, é a rede de segurança dela”, afirma Pablo.

A campanha busca levantar entre R$16 mil e R$20 mil para custear a ida de Eliane ao Canadá, valor que inclui passagens, visto, hospedagem e despesas de permanência, com possibilidade de variação por causa da cotação do dólar canadense, segundo a família. Pablo diz que decidiu não centralizar o dinheiro na própria conta. A arrecadação está sendo feita pela chave Pix em nome de Eliane, e os valores caem diretamente na conta dela, como forma de transparência.

A trajetória de Alana na robótica começou há cerca de um ano, quando ela foi selecionada para participar do Projeto Na Mochila, iniciativa social que atua com educação em STEAM, sigla para ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, em cidades do Médio Piracicaba como João Monlevade, São Domingos do Prata, Nova Era e Rio Piracicaba. O projeto reúne estudantes de escolas públicas e vem acumulando presença em competições nacionais e internacionais, com histórico recente de medalha de prata em torneio mundial realizado em Daegu, na Coreia do Sul, na modalidade Missão Impossível U14.

Alana e equipe da Escola Municipal Cecília Gabriela Martins. Foto: Reprodução/Acervo pessoal

 

No caso de Alana, a entrada no projeto ocorreu a partir de critérios ligados a desempenho escolar e frequência, segundo Pablo. “Ela sempre foi uma das melhores alunas da escola. Participa de tudo, é focada, está presente. Dentro da robótica, ela se destacou pela criatividade e pela rapidez para aprender”, afirma. A aluna estuda na Escola Municipal Cecília Gabriela Martins Quintão, em Capoeirana.

Eliane conta que o convite para o nacional veio após o desempenho da filha em atividades do próprio projeto. “A Alana tem um ano que ela faz robótica. Ela se criou um robôzinho chamado Algodão. Aí eu comecei a desenvolver e foi surgindo”, relata, ao explicar como a filha passou a frequentar treinos e eventos ligados à equipe.

A categoria em que Alana vai competir no Canadá é a FIRA Kids, voltada para a faixa etária dela. A delegação de Capoeirana, segundo a família, será formada por quatro meninas, com Alana e Roberta como integrantes da equipe que foi ao campeonato nacional, além de Laura e Lívia, que entram como substituições. 

A rotina da família mudou junto com a agenda de preparação. “Ela fica o dia inteiro na escola, e sábado vai para o treino. Se tiver evento em outro lugar, tem que ir. A minha rotina é correr atrás das coisas por ela, resolver uma coisa ali, outra ali”, afirma Eliane. Para a mãe, o que está em jogo não é apenas a experiência internacional, mas o impacto da robótica na percepção de futuro da filha. “Ela vê essas oportunidades como chance de conquistar coisas melhores, ter profissão melhor, ter possibilidades a mais”, diz.

Pablo acrescenta que a presença de Eliane tem peso direto no bem-estar da criança e na decisão de embarcar. “A Alana faz questão da mãe ao lado. A questão da presença da família é determinante”, afirma.

A campanha, segundo ele, está sendo conduzida por meio de vídeos e publicações nas redes, com contatos também com empresas, jornalistas e pessoas da região. A meta declarada é custear a ida de Eliane. Caso haja excedente, a proposta é destinar parte ao Projeto Na Mochila, para materiais e apoio a outras crianças. Como forma de serviço, a família informa que doações podem ser feitas via Pix pela chave lopeseliane0563@gmail.com, em nome de Eliane. 

Para Pablo, a história de Alana se encaixa em um contraste que costuma ficar invisível no mapa de oportunidades. “Capoeirana é uma comunidade de baixa renda, um lugar meio urbanizado, meio rural. A gente cresceu no mesmo lote. Ver uma criança de oito anos, de escola municipal, com pouco tempo de treino, alcançar um resultado nacional e ganhar um convite para o mundial, muda o que a comunidade acredita ser possível”, afirma.

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