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Apesar de exceções, tarifa de Trump vai atingir 25% das exportações minerais do Brasil

Novas diretrizes ambientais ganham força em Minas em meio a pressão da mineração

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Mesmo com a exclusão de boa parte dos minérios brasileiros da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos, o setor mineral ainda calcula os prejuízos. A estimativa do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) é que 25% das exportações de minérios para o mercado norte-americano serão atingidas pela taxação de 50%, anunciada nesta quarta-feira (30) pelo presidente Donald Trump.

Na lista de exceções divulgada pelo governo dos EUA constam produtos como suco e polpa de laranja, combustíveis, fertilizantes, aeronaves civis e diversos minérios, entre eles caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita e pedras ornamentais. Com isso, segundo análise preliminar do IBRAM, cerca de 75% das exportações minerais brasileiras para os EUA, que somam US$ 1,53 bilhão, ficam de fora do tarifaço.

Apesar da relativa proteção a boa parte dos insumos minerais, o setor ainda avalia os possíveis efeitos da medida sobre as cadeias produtivas, especialmente aquelas que dependem de minérios não contemplados nas exceções. “O IBRAM continua analisando os detalhes do decreto para compreender plenamente seus impactos e reafirma seu compromisso de atuar para que todos os minerais brasileiros sejam excluídos da nova sobretaxa”, destacou a entidade em nota.

As novas tarifas entram em vigor no dia 6 de agosto.

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Confira na íntegra a nota do IBRAM:

“Uma análise preliminar do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), com base no documento divulgado nesta quarta-feira (30) pelo governo dos Estados Unidos, indica que, dos 1,53 bilhões de dólares — valor que representa 4% das exportações minerais brasileiras destinadas ao mercado norte-americano — cerca de 75% estão incluídos nas exceções previstas pelo decreto. Com isso,  25% das exportações serão impactadas. Não foram contemplados os minerais caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita e algumas pedras e rochas ornamentais.

O IBRAM continua analisando os detalhes do decreto para compreender plenamente seus impactos e reafirma seu compromisso de atuar para que todos os minerais brasileiros sejam excluídos da nova sobretaxa”.

Motivações políticas

A taxação foi oficializada por meio de uma Ordem Executiva assinada por Trump, que alega haver uma “ameaça incomum e extraordinária” representada pelo governo brasileiro à segurança nacional dos Estados Unidos. O texto, que adota tom político e ideológico, acusa o Brasil de perseguir e censurar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores — argumento similar ao já utilizado contra países como Cuba, Venezuela e Irã.

Na justificativa do documento, Trump afirma que o processo contra Bolsonaro e as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, minam o Estado de Direito no País e ameaçam a realização de eleições livres em 2026. O ministro é acusado diretamente de abusar da autoridade judicial ao reprimir opositores, confiscar passaportes e impor sanções a empresas que desrespeitaram decisões judiciais sobre moderação de conteúdos em redes sociais.

Com forte impacto político e econômico, o tarifaço de Trump reforça a instabilidade nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, e acende o alerta em setores estratégicos da economia nacional, como mineração, energia e aviação.

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