A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada deste sábado (3), provocou uma reação imediata e fragmentada entre os países da América Latina. A operação, confirmada pelo presidente Donald Trump e que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, dividiu governos entre apoio explícito, cautela diplomática e condenação contundente. As manifestações seguiram, em grande medida, linhas ideológicas já conhecidas no continente.
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Argentina: apoio explícito e celebração da ofensiva
O presidente argentino Javier Milei, aliado político de Donald Trump, comemorou publicamente a ação militar. Em redes sociais, publicou mensagens e vídeos exaltando a ofensiva e voltou a classificar o regime venezuelano como uma ditadura.
Em comunicado oficial, o governo argentino celebrou a captura de Maduro, descrito como “o maior inimigo da liberdade no continente”, e declarou apoio à oposição venezuelana, defendendo que Edmundo González Urrutia e María Corina Machado liderem o processo de transição democrática no país.
Equador: discurso duro contra o chavismo
No Equador, o presidente Daniel Noboa adotou um tom firme ao comentar o ataque. Ele afirmou que “todos os narcochavistas criminosos terão sua hora” e declarou apoio à oposição venezuelana, dizendo que o povo do país “tem um aliado no Equador” na busca pela retomada da democracia.
Paraguai: classificação de Maduro como líder criminoso
O governo paraguaio foi um dos mais duros nas declarações. Em nota oficial, classificou Nicolás Maduro como líder de uma organização criminosa considerada terrorista pelas autoridades do país.
O comunicado sustenta que a permanência de Maduro no poder representava uma ameaça à estabilidade regional e que sua saída abre caminho para a restauração imediata do Estado de Direito e para uma transição democrática baseada na vontade popular.
Panamá: defesa de transição política ordenada
O presidente panamenho José Raúl Mulino também se posicionou favoravelmente a uma mudança política em Caracas. Em publicação nas redes sociais, afirmou que seu governo defende a democracia e o respeito aos “legítimos desejos do povo venezuelano”, expressos, segundo ele, nas urnas.
Mulino destacou ainda que o Panamá apoiará um processo de transição “ordenado, legítimo e pacífico”.
Peru: cautela com críticas ao governo Maduro
O Peru adotou uma postura mais cautelosa. O governo reafirmou compromisso com o Direito Internacional e com soluções pacíficas, mas responsabilizou diretamente o governo Maduro pela crise venezuelana.
Em nota, Lima citou violações sistemáticas de direitos humanos, detenções arbitrárias e o colapso do Estado de Direito, além de alertar para o avanço do crime organizado transnacional e informar que monitora a situação da comunidade peruana na Venezuela.
Chile (presidente eleito): comemoração e discurso de responsabilização
No Chile, o presidente eleito José Antonio Kast comemorou a prisão de Maduro e classificou o episódio como uma boa notícia para a América Latina. Segundo ele, os países da região devem atuar para desmontar todo o aparato do regime venezuelano e responsabilizar seus integrantes. Kast assume o cargo em 11 de março.
Chile (presidente em fim de mandato): condenação ao ataque e defesa da via democrática
O presidente chileno em fim de mandato, Gabriel Boric, condenou a ação militar dos Estados Unidos, mas ressaltou que a superação da crise venezuelana deve ocorrer por meios democráticos e institucionais. O governo chileno evitou mencionar sanções ou possíveis retaliações.
Colômbia: crítica severa e pedido à ONU
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro classificou a ofensiva como uma agressão à Venezuela e à América Latina. Ele pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e alertou para os riscos de escalada militar e de desestabilização regional.
Brasil: violação do Direito Internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em nota, que os bombardeios em território venezuelano e a captura do chefe de Estado ultrapassam um limite inaceitável e ferem princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.
Segundo Lula, a ação representa uma flagrante violação do Direito Internacional e abre espaço para um cenário global de “violência, caos e instabilidade”.
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Uruguai: defesa da América Latina como zona de paz
O governo uruguaio disse acompanhar os acontecimentos com atenção e “séria preocupação”. Montevidéu rejeitou qualquer forma de intervenção militar entre Estados e condenou ataques aéreos contra instalações militares e infraestrutura civil venezuelana.
O país reafirmou seu compromisso histórico com a América Latina e o Caribe como zona de paz e informou manter contato permanente com seu consulado em Caracas.
Cuba: condenação e acusação de terrorismo de Estado
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou a ofensiva americana como um “ataque criminoso” e acusou Washington de praticar “terrorismo de Estado” contra a Venezuela e a América Latina.
Segundo ele, uma região definida como zona de paz está sendo “brutalmente atacada”, e a comunidade internacional precisa reagir com urgência.
Até a última atualização, não havia balanço oficial de mortos ou feridos em decorrência dos bombardeios.

