Apesar de um encontro com troca de amabilidades e presentes, entre o presidente Milei, da Argentina e o papa Francisco, no Vaticano, no dia 12 de fevereiro, o clima entre ambos parece estar novamente esfriando.
As diferenças têm se mostrado bem evidentes, desde que Milei, de direita, assumiu a presidência da Argentina, substituindo a Alberto Fernández, esquerdista, notadamente mais simpático ao líder da igreja católica.
O exemplo mais recente ocorreu nesta quarta-feira (28), quando em um vídeo transmitido na inauguração da sede de uma ONG de juízes em Buenos Aires, o papa disse em bom tom que o Estado deve cumprir um papel de redistribuição de renda e de direitos sociais.
“Os direitos sociais não são gratuitos, a riqueza para sustentá-los está disponível, mas requer decisões políticas adequadas”, insinuando sobre a Argentina hoje, sob cortes de benefícios promovidos pelo governo Milei e com os maiores índices de pobreza dos últmos 20 anos.
O papa também falou, entre ouras coisas, sobre “o deus mercado e a deusa ganância”, que classificou como “falsas divindades que levam à desumanização e à destruição do planeta”
Ao receber Milei, no Vaticano, Francisco compartilhou com ele uma missa e teve uma reunião privada.
O porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, descreveu as palavras de Francisco como “frases, palavras ou definições mito bonitas aos ouvidos”, mas rejeitou que o Estado deva ser garantidor da justiça social, pois isso, é tirar compulsivamente de uns para dar a outros”.
Adorni acrescentou: “O bendito ‘Estado presente’ tirou tudo de milhões de argentinos”, disse, referindo-se ao slogan utilizado pelos governos peronistas. “As pessoas não querem isso e demonstraram nas urnas”, responsabilizando as políticas praticadas pelos governos anteriores pelos 50% de pobres no país.
“Peço à Copaju (Comitê Pan Americano de Juízas e Juízes pelos Direitos Sociais e a Doutrina Franciscana), firmeza diante dos modelos desumanizantes. Vocês são os operários da paz”, disse o Papa em vídeo. A Copaju foi criada pelojuiz Andrés Gallardo, que tem realizado trabalhos com outros clérigos católicos em bairros pobres da capital argentina.

