Após mortes de leoa e chimpanzé, denúncias e promessa de modernização reacendem debate sobre Zoológico de BH

Leoa-branca Pretória e chimpanzé Kely morreram em menos de 48 horas no Zoológico de Belo Horizonte; casos ocorrem dias após denúncias de maus-tratos e promessa do prefeito Álvaro Damião de modernizar e garantir o bem-estar dos animais

Após mortes de leoa e chimpanzé, denúncias e promessa de modernização reacendem debate sobre Zoológico de BH
Foto: Lilian Karnopp/Divulgação

Em menos de 48 horas, o Zoológico de Belo Horizonte registrou a morte de duas fêmeas de grande porte: a leoa-branca Pretória, de 14 anos, e a chimpanzé Kely, de 27. As duas sofreram paradas cardiorrespiratórias durante procedimentos médicos. Os casos, confirmados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), geraram grande repercussão e levantaram questionamentos sobre a estrutura, os protocolos e o bem-estar dos animais no espaço, que já vinha sendo alvo de denúncias recentes de maus-tratos.

 

A morte da leoa Pretória

A fêmea de leão-africano chegou ao zoológico em 15 de outubro, vinda do Parque Beto Carrero World (SC), junto com o macho branco Mafu, ambos com 14 anos. De acordo com a PBH, Pretória apresentava fratura coronal nos dentes caninos inferiores, com exposição e possível necrose da polpa dentária — lesão anterior à chegada a BH.
Durante um tratamento odontológico na terça-feira (11), a leoa sofreu uma parada cardiorrespiratória ainda sob anestesia. Apesar das tentativas de reanimação, o animal não resistiu. A necrópsia foi realizada pela equipe de patologia da Escola de Veterinária da UFMG, e o laudo técnico deve apontar a causa exata da morte.

Foto: Fábio Rogério/Cruzeiro do Sul

Morte da chimpanzé Kely

Um dia depois, na quarta-feira (12), foi confirmada a morte da chimpanzé Kely, de 27 anos. O animal havia chegado ao zoológico há cerca de 40 dias, vinda de Sorocaba (SP), com diagnóstico de problema no útero e vinha sendo tratada pela equipe veterinária.
Segundo o prefeito Álvaro Damião, Kely precisaria passar por exames fora do zoológico e foi anestesiada, mas não suportou o procedimento.

Ela estava doente com um problema no útero. Foi feito um tratamento durante um tempo aqui em Belo Horizonte, mas ela ia fazer exames fora do zoológico. Para isso, teria que ser anestesiada e não suportou”, declarou o prefeito durante coletiva.

Pronunciamento de Álvaro Damião

Durante a coletiva, Damião lamentou as mortes e afirmou que ambos os animais já chegaram à capital mineira com problemas de saúde.

“Eles já vieram com problema de saúde, mas a gente já sabia também. O nosso zoológico é preparado para isso. Vamos conversar internamente para saber o que causou a morte dos animais”, afirmou.

Ele também explicou que o macho Mafu passou por procedimento semelhante e se recupera bem.

“O meu compromisso é com o leão, com a qualidade de vida dele. Se eu tiver de levá-lo para outro lugar para ele viver bem, eu vou levar. Se precisar trazer outra leoa, eu trago.

Segundo o prefeito, 2025 é o ano com o menor número de mortes de animais no zoológico em cinco anos: 35 óbitos, frente a uma média anual de 48 no período anterior.

 

Denúncias e promessas de modernização

As mortes de Pretória e Kely ocorrem dias após o Zoológico de Belo Horizonte voltar a ser alvo de denúncias de maus-tratos a animais. As queixas, registradas junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), motivaram uma ação de fiscalização no local no final de outubro.
Em resposta, o prefeito Álvaro Damião defendeu o trabalho das equipes técnicas e garantiu que todos os animais são bem cuidados:

A gente tem que pensar no animal, e a gente pensa 24 horas naquele animal. São todos muito bem tratados. Eu entrei em todas as áreas do nosso zoológico”, afirmou na ocasião.

No mesmo período, Damião anunciou um plano de modernização do Jardim Zoológico e Botânico de Belo Horizonte, reconhecendo a necessidade de melhorias estruturais e de gestão.

“Vamos modernizar a entrada do zoológico e ainda mais o zoológico. Nós temos o melhor zoológico do Brasil, um patrimônio da cidade”, declarou o prefeito, durante inauguração de obra viária em 23 de outubro.

Ele destacou que o modelo atual, considerado “analógico”, com bilheteria física e estrutura antiga, precisa ser atualizado. O prefeito descartou a possibilidade de concessão do espaço à iniciativa privada — projeto cogitado em 2023, mas arquivado após falta de propostas — e garantiu que o zoológico seguirá sob gestão pública.

“Esse zoológico é do povo de Belo Horizonte. Enquanto eu for prefeito, ele não será entregue à iniciativa privada”, afirmou.

 

Repercussão e próximos passos

A sequência de mortes de dois animais de grande porte em tão curto intervalo reacendeu o debate sobre o bem-estar de animais em cativeiro, os riscos anestésicos em espécies sensíveis e as condições de adaptação de animais transferidos.
A PBH informou que abrirá uma investigação interna e que os resultados dos laudos necroscópicos serão divulgados assim que concluídos.
Enquanto isso, o leão Mafu permanece sob observação da equipe veterinária e deve permanecer no espaço. A prefeitura também estuda a possibilidade de trazer uma nova fêmea para garantir o bem-estar do animal.