O ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu, na última quarta-feira (3), que o Brasil utilize plataformas financeiras norte-americanas como trunfo diplomático. A estratégia visaria conter a imposição de novas taxas alfandegárias sobre as exportações nacionais rumo ao mercado estadunidense.
A manifestação ocorreu por meio de uma gravação veiculada em suas plataformas digitais, surgindo 48 horas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir uma taxação de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A recomendação da agência estrangeira concluiu uma auditoria comercial que apontou o Pix como um dos principais fatores de discordância.
Conforme o relatório americano, o Banco Central brasileiro acumula os papéis de órgão regulador e gestor do ecossistema de transações, o que supostamente prejudicaria a competitividade de corporações privadas de pagamento sediadas nos EUA.
Ao analisar o cenário, Eduardo traçou um paralelo com o Zelle, recurso eletrônico de transferências imediatas operante nos EUA. O político assinalou que, por possuírem ferramentas de funcionamento análogo ao modelo brasileiro, o mecanismo serve como base jurídica e comercial para as tratativas bilaterais.
Tensões políticas
O posicionamento de Washington é contestado pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumenta que a tecnologia impulsionou a democratização bancária, reduziu tarifas aos cidadãos e estimulou a concorrência no setor. Em meio ao embate econômico, o chefe do Executivo associou o agravamento do impasse à interlocução de integrantes da família Bolsonaro com autoridades de Washington.
Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro alegou ter intercedido ativamente junto à cúpula da Casa Branca — incluindo o presidente Donald Trump, o vice J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio — solicitando o veto às sanções econômicas contra o empresariado brasileiro. Na quarta-feira, o parlamentar também buscou vincular a autoria do Pix ao período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro chefiava o país.
Apesar do parecer do USTR, as barreiras tributárias ainda carecem de validação final. A legislação americana prevê rodadas de debates públicos e análises complementares pelo governo antes de uma deliberação definitiva, cujo limite legal está fixado para o mês de julho.

