Em entrevista à Rádio Mix FM de Maceió (AL), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) afirmou que “sem o Centrão, o Brasil seria uma Argentina“. A fala ocorreu após o comentário de uma possível ampliação da base governista na Casa Legislativa, a partir de uma reforma ministerial.
Segundo Lira, ele era tratado como o sustentáculo do governo Bolsonaro. ’’É quem dá sustentação e quem dá apoio. Qual o ministério que a gente tinha no governo Bolsonaro? Qual o espaço que a gente tinha? Eu nunca prezei por isso”, afirmou.
“Tem essas histórias de ‘ah, o Arthur que a Saúde, o Arthur quer isso, o Centrão quer aquilo’… Primeiro que, se o Brasil não tivesse o Centrão, ele seria uma Argentina”, disse.
Após a derrota de Bolsonaro na eleição de 2022, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Lira, foi ministro da Casa Civil, entre agosto de 2021 e dezembro de 2022. Ao longo da disputa presidencial, Lira se colocou como apoiador de Bolsonaro à reeleição.
Também após a derrota de Bolsonaro, o presidente da Câmara foi o primeiro a reconhecer o resultado das urnas, o que facilitou sua reeleição à presidência da Casa Legislativa, com os votos de 464 parlamentares, dos 513 possíveis.
Após ser reempossado, Lira tem procurado defender propostas de interesses do atual governo, como o novo arcabouço fiscal, a reforma tributária e o projeto das fake news. No entanto, Lira tem também imposto derrotas ao Palácio do Planalto em pautas divergentes, como alterações no Marco do Saneamento implementadas por decreto pelo governo e no marco temporal, para demarcação de terras indígenas.
Lira diz que o governo não tem maioria e tem dificuldades e paga o preço de ter sido eleito sem conseguir sair das urnas com uma base de deputados e senadores suficiente papra ter maioria no Congresso Nacional. O parlamentar também disse que “o Senado tem conseguido maior influência do que a Câmara nas indicações para ministérios” e que a distribuição de espaços da atual Esplanada dos Ministérios entre aliados das duas casas, “está desequilibrada”.
“Tem muito Senado e pouca Câmara. Se o critério é de acomodação de partidos na Esplanada, está desequilibrado”, finalizou.

