Site icon DeFato Online

As impressões sobre o primeiro clássico mineiro do ano

As impressões sobre o primeiro clássico mineiro do ano

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Ainda estamos em janeiro e não chegamos a sequer dez jogos oficiais na temporada. Por isso, boa parte das análises esportivas é pautada pela famosa CAUTELA. Mas é da nossa cultura futebolística deixar isso um pouco de lado em clássicos, e não é por acaso. Tratam-se de campeonatos à parte, que trazem impactos enormes aos envolvidos. E não foi diferente no Atlético e Cruzeiro de domingo (25).

A virada por 2 a 1, além de representar a primeira vitória no Campeonato Mineiro, dá ao Galo um respiro fundamental em um momento, até então, de instabilidade. O time soube ter paciência, organização, bola e caráter para reagir ao gol de Kaio Jorge, marcado no primeiro tempo.

Não que a equipe de Sampaoli tenha encurralado completamente o rival. Nem era o que se esperava, diante da realidade de cada um. Mas a chave da vitória foi a eficiência para aproveitar o seu melhor momento no jogo, no início do segundo tempo.

Do ponto de vista individual, Victor Hugo e Renan Lodi voltaram a dar boas respostas em campo. Dudu provou, mais uma vez, ser outro jogador nas mãos do técnico argentino, que soube recuperá-lo fisicamente. E Hulk… o que falar do atacante?

O golaço marcado na segunda etapa, além de reaproximar o maior ídolo recente do clube da torcida, pode indicar uma nova forma de utilizá-lo em campo neste momento da carreira. Se jogar de costas — como já ressaltado pelo próprio jogador — é uma missão dificílima, Hulk ainda pode ser decisivo de frente para a meta.

Não seria uma possibilidade colocar outro atacante ao lado do paraibano, liberando-o, dessa forma, de ser a única referência do ataque? Que Sampaoli responda!

O desafio agora é contra o Palmeiras, na próxima quarta-feira (28), pelo Campeonato Brasileiro. Se o elenco não é tão estrelado quanto outros dos anos recentes, ao menos deu mostra, neste final de semana, de que pode ser competitivo.

Do outro lado da lagoa, a frustração é enorme. Como há muito tempo não se via, o Cruzeiro entrou em campo como amplo favorito. E parecia confirmar esse favoritismo em um primeiro tempo no qual não foi extremamente superior, mas controlou as ações.

O cenário do segundo tempo era totalmente favorável à equipe de Tite, mas velhos erros voltaram a aparecer. Assim como em alguns jogos de 2025 — boa parte deles decisivos, inclusive —, o Cruzeiro não esteve 100% atento durante os 90 minutos.

Para o torcedor, a impressão que fica é de um time que se acha capaz de vencer quando e como quiser. Um erro grave, sobretudo em um clássico. Se o Cruzeiro quer deixar de ser apenas um bom time e ganhar títulos importantes, como prometido por seu dono, precisa ter muito mais maturidade e poder de decisão em jogos deste tamanho.

Por isso, acho injusto creditar a derrota a Tite. É claro que o treinador gaúcho pode rever alguns pontos — como o uso de Gerson e Christian, escalados, respectivamente, pela direita e pelo meio. Porém, a desconcentração em momentos cruciais da partida já acontecia com Leonardo Jardim.

Que a derrota sirva de lição para o restante da temporada, cujo período mais importante se inicia na próxima quinta-feira (29), contra o Botafogo, pelo Brasileirão. O cruzeirense precisa de um time que lhe inspire mais confiança.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

Exit mobile version