Duas tradições pragmáticas se compartilham e misturam-se solidariamente. Os Estados Unidos são uma pátria de péssimos guerreiros. Os soldados norte-americanos, normalmente, desempenham sofríveis papéis em teatros de guerras. Outro panorama muito claro soma-se a esta percepção. A terra de Tio Sam também é uma fábrica de maus políticos.
Vamos por parte. A começar pela segunda tese. O eficiente homem público estadunidense existiu como jazidas de minérios. Só deu uma safra. A produção de excelentes mandatários começou logo após a independência, em 1776. Os vinte primeiros dirigentes da nação formaram uma classe sui generis. São daquela lavra George Washington, John Adams, Thomas Jefferson e Abraham Lincoln. E só. Daqui para frente, a mediocridade tomou conta do poder. A categoria “mais ou menos” virou honrosa exceção. A Casa Branca já foi moradia de inquilinos da estirpe de Harry S Truman, Richard Nixon, Gerald Ford, Lyndon B. Johnson, Jimmy Carter, Ronald Reagan, Bill Clinton e Joe Biden. Estes são alguns exemplos de figuras pequenas.
Mas, atenção. Nada é tão péssimo que não possa decair um pouco mais. O abominável Donald John Trump é a principal comprovação desta possibilidade. Está claro. O atual presidente dos “States” é hors concours no quesito excentricidade. As suas mais marcantes características pessoais causam asco. Mentiroso, falastrão, patético, irresponsável, mercenário, falso, racista, moleque, tarado, bobalhão, estúpido e mau caráter. E mais. A somatória destes “atributos” desagua num psicopata raiz.
Passemos à segunda temática. Os sobrinhos de Tio Sam são horrendos estrategistas na arte da guerra. E compensam esta incompetência com a prática da covardia em seu mais elevado grau. São naturais sanguinários. Ao longo da história, colecionam fiascos nos campos de batalha.
Apenas dois exemplos. Os caubóis do Norte só entraram na Segunda Guerra Mundial aos 48 minutos do tempo derradeiro, com ajuda do VAR. O atraso deve-se a prosaico motivo: o vergonhoso medo do exército nazista de Adolf Hitler. Em dado instante (7/12/1941), os japoneses atacaram a base naval de Pearl Harbor, no Havaí. A ação traiçoeira empurrou os “corajosos” americanos para dentro do conflito. Os “valentes” participaram do confronto da forma mais sórdida possível. Covardemente, jogaram duas bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki em 1945. O “heroísmo” provocou a morte de aproximadamente 200 mil civis. O cúmulo da atrocidade. Esta atitude vil era desnecessária. Afinal, os nipônicos já se encontravam aniquilados. Um detalhe tétrico deve ser debitado na conta e consciência dos “americanos”. Os EUA foram o único país, em todos os tempos, que despejaram ogivas nucleares nas cabeças de humanos (e animais irracionais). Até hoje, ninguém mais teve tamanha ousadia.
A Guerra do Vietnam foi outro enredo bastante ilustrativo da “extrema coragem” dos iaques. Na verdade, o quebra-quebra do Sudeste Asiático se transformou num dos maiores fiascos bélicos da humanidade. As forças armadas dos USA entraram no confronto exibindo prazo de validade nos capacetes. O código de barras informava que a intervenção acabaria em poucas semanas. O poderio dos invasores era garantia de cumprimento da durabilidade prevista. Mas não. Tudo deu errado. Os “puristas” só conseguiram retornar para casa uma década mais tarde, depois da promoção de intensa carnificina. E voltaram com os respectivos rabos entre as pernas. Lógico. O maior exército do planeta foi humilhado por um bando de maltrapilhos guerrilheiros.
E agora chegamos ao mais recente vexame. O atabalhoado pato Donald foi o astro da “neobandeirada”. Depois dos tarifaços no pé e rapto do caricato ditador Nicolás Maduro, “Orange” decidiu literalmente acabar com a República dos aiatolás. O homem laranja, porém, cometeu crasso erro de avaliação. Simples. A velha Pérsia não é mera republiqueta bolivariana da periferia. E ponto. Após prometer dizimar toda uma população milenar (a esdrúxula pretensão foi confissão explícita de crime de guerra), Trump previsivelmente afinou. O “imperador do universo” blefou pela enésima vez. Constrangido, apresentou esfarrapada desculpa para o recuo tático e obrigatório: “o Irã liberou o Estreito de Hormuz”.
Como assim? A rota já não se encontrava desbloqueada antes dos ataques de Israel e EUA? Na realidade, Hormuz nunca foi a causa real para o começo da encrenca, mas apenas a oportunista solução definitiva ou o modo mais rápido de se sair pela tangente. Conclusão de tudo. Os iranianos prenderam o “perigosíssimo” pitbull da América do Norte numa coleira. Como se vê, o bilionário mandarim republicano perdeu a guerra. Este caso termina, portanto, como mais uma vergonha alheia dos Estados Unidos na geopolítica.
PS: a China foi a grande vencedora do conflito do Oriente Médio. Xi Jinping ganhou sem disparar um tiro. Nem precisou deslocar um só soldado para o teatro de guerra. Donald Trump perdeu para persas e chineses. Observe o panorama econômico mundial nos próximos meses.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

