Ato público em defesa do SUS reúne manifestantes em frente à Prefeitura de Belo Horizonte
Trabalhadores da saúde e sindicatos cobram soluções diante da crise no setor; Prefeitura promete mesa de negociação, mas não apresenta prazos concretos
Na manhã desta quinta-feira (11), o Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte, em parceria com centrais sindicais, promoveu um ato público em frente à Prefeitura para denunciar a crise no Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. A manifestação começou às 9h, com faixas, cartazes e palavras de ordem que destacavam a falta de insumos, as demissões de profissionais e a ameaça de desmonte da Guarda Civil Municipal de Saúde.
Segundo os organizadores, mais de 500 pessoas participaram da mobilização. Trabalhadores de diferentes categorias da saúde pública, sindicatos e movimentos sociais exigiram medidas urgentes para garantir condições dignas de atendimento à população e de trabalho para os servidores.
A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria das Graças Silva, destacou a gravidade da situação:
“O SUS é um patrimônio do povo brasileiro e está sob risco em Belo Horizonte. Sem medicamentos, sem equipamentos e com servidores sendo demitidos, quem paga o preço é a população mais vulnerável. Estamos aqui para cobrar soluções imediatas.”
Representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), o dirigente Carlos Alberto Nunes reforçou a necessidade de diálogo:
“Os profissionais estão sobrecarregados e desvalorizados. O prefeito precisa assumir o compromisso de manter a estrutura da Guarda Municipal de Saúde e investir no sistema. Sem saúde pública de qualidade, não há justiça social.”
Resposta da Prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Belo Horizonte reconheceu as dificuldades enfrentadas pela rede SUS-BH, mas alegou que a crise decorre de limitações orçamentárias e de cortes em repasses federais. O comunicado afirmou que “não há intenção de extinguir a Guarda Civil Municipal de Saúde” e que medidas estão sendo adotadas para recompor estoques de insumos.
Durante a manifestação, uma comissão formada por representantes do Conselho de Saúde e sindicatos foi recebida por assessores do prefeito Álvaro Damião. Após quase duas horas de reunião, ficou acertada a criação de uma mesa permanente de negociação entre trabalhadores e gestão municipal. Entretanto, não foram anunciados prazos para reposição de profissionais ou regularização dos insumos.
Repercussão
Ao fim do encontro, os organizadores avaliaram o resultado como “um avanço tímido”. Para a dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindibel), Luciana Ferreira, a categoria continuará mobilizada:
“A abertura do diálogo é positiva, mas não resolve a urgência da crise. Queremos garantias de investimentos e de manutenção da estrutura do SUS em Belo Horizonte.”
Próximos passos
O Conselho Municipal de Saúde e as centrais sindicais anunciaram que novas mobilizações poderão ocorrer caso as reivindicações não sejam atendidas nas próximas semanas. A expectativa é que a primeira reunião da mesa de negociação aconteça ainda em setembro.




