O ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Itabira (Sintsepmi), Auro Gonzaga, se manifestou após declarações da atual presidente da entidade, Graziele Cachapuz, que, durante entrevista à DeFato, apontou uma série de problemas herdados da gestão anterior, como: o atraso no pagamento de salários, pendências financeiras, ausência e má conservação de bens do sindicato e suspeita de contratação de funcionária que não exercia atividades na entidade.
Segundo Graziele, a nova diretoria, empossada no dia 7 de dezembro, encontrou dificuldades para acessar documentos, contas e dependências do sindicato, além de encontrar um cenário de dívidas não dimensionadas e funcionários sem receber desde novembro, incluindo décimo terceiro e férias. A presidente também afirma que o ex-dirigente permaneceu com o veículo oficial do sindicato mesmo após o término do mandato.
Em resposta, Auro Gonzaga negou irregularidades e afirmou que a situação vivida pelo Sintsepmi é resultado de uma crise financeira estrutural, agravada principalmente pelo fim do imposto sindical, além de um cenário de instabilidade provocado pela judicialização do processo eleitoral.
Apesar de se posicionar sobre a maior parte das denúncias levantadas, o ex-presidente não respondeu sobre a acusação de uma possível contratação fantasma. Auro Gonzaga também não respondeu se teria movido ações judiciais utilizando recursos financeiros do Sindicato para contestar os resultados das eleições.
Prestação de contas e crise financeira
Segundo Grazi Cachapuz, a empresa que presta serviços de contabilidade ao Sintsepmi não soube informar quando foi feita a última prestação de contas oficial da entidade. De acordo com a nova presidente, praticamente nenhuma despesa era quitada regularmente, com exceção dos salários — até novembro —, da conta de energia elétrica e do telefone. O condomínio, por exemplo, acumulou dívidas expressivas, assim como outras obrigações financeiras, algumas delas supostamente sem pagamento desde 2021.
Em relação às críticas sobre transparência, Auro Gonzaga afirma que as prestações de contas da sua gestão sempre foram realizadas em assembleias, inclusive com a presença de representantes da imprensa local, e que a categoria era informada sobre as dívidas existentes e as dificuldades financeiras do sindicato.
Ele atribui o agravamento da situação financeira ao fim do imposto sindical, que, segundo ele, garantia uma receita fixa e permitia planejamento orçamentário anual. Segundo Auro, com o encerramento dessa fonte de recursos, o Sintsepmi passou a depender exclusivamente das mensalidades dos filiados, uma receita variável que, mesmo com cortes, não teria sido suficiente para regularizar todas as pendências.
No entanto, o ex-presidente não respondeu qual é a situação financeira deixada pela sua gestão à nova diretoria. Sobre os salários em atraso, Auro disse que os pagamentos não foram realizados porque, com o encerramento do mandato, a antiga diretoria perdeu automaticamente o acesso às contas bancárias do sindicato. Além disso, segundo ele, os repasses da Prefeitura de Itabira ocorrem no dia 10 de cada mês, o que, de acordo com o ex-presidente, inviabilizou qualquer quitação naquele período.
“Questão até que me chateia muito por serem funcionários e prestadores de serviços assíduos, competentes, responsáveis com suas tarefas e que merecem todo respeito”, disse.
Auro esclarece sobre veículo não devolvido, mas não responde sobre “funcionária fantasma”
Outro ponto grave denunciado pela atual presidente, é que o ex-dirigente ainda estaria em posse do carro do sindicato. Mesmo após ofícios, telegramas e tentativas de contato, Graziele afirma que Auro Gonzaga não respondeu, não realizou transição e não devolveu o veículo. Em relação a questão, Auro afirma que o automóvel permanece guardado sob sua responsabilidade, já que não houve transição formal de gestão. Segundo ele, por orientação jurídica, a devolução deve ocorrer por via judicial, garantindo segurança jurídica às partes.
A nova gestão do Sintsepmi também havia apontado possíveis irregularidades na contratação de pessoal, durante a gestão de Auro Gonzaga. Apesar de a estrutura comportar duas secretárias, três estariam registradas. Uma delas, segundo relatos, não comparece ao local de trabalho há anos, embora tenha recebido salários regularmente até meados de 2025. Ainda de acordo com Graziele Cachapuz, após a derrota, o ex-presidente teria entrado com ações judiciais questionando o pleito, utilizando o próprio sindicato como autor da ação. Um dos processos foi considerado incompetente pela Justiça do Trabalho, o que, segundo Graziele, gerou custos indevidos à entidade.
Auro Gonzaga não respondeu sobre a acusação de possível contratação fantasma. Ele também não esclareceu se teria movido ações judiciais utilizando recursos do Sindicato para contestar os resultados das eleições – mesmo após o fim do seu mandato.
Sede fechada
Em relação ao fechamento da sede após o fim do seu mandato, Auro Gonzaga afirma que a sede do Sintsepmi permaneceu fechada no período pós-eleição devido a um recesso “previamente programado”, com atividades mantidas em regime de home office, além da existência de uma ação judicial que questiona a legitimidade da eleição, proposta, segundo ele, ainda dentro do seu mandato, por integrantes de outras chapas que alegaram indícios de fraude.
Diante da possibilidade de perda de acesso às contas bancárias da entidade, Auro afirma que foi adotado o regime de férias coletivas. Ele sustenta que não houve transição administrativa porque, no primeiro dia de retorno das férias, a sala da presidência teria sido arrombada, com troca das fechaduras e posse imediata da sede pela atual gestão.

