A disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas no Barreiro, em Belo Horizonte, intensificou o clima de insegurança na região nas últimas semanas e passou a impactar diretamente a rotina de moradores, o transporte público e a atuação das forças de segurança. A escalada da violência levou a confrontos armados, mortes, prisões e à circulação de mensagens com ameaças em redes sociais.
Nesta terça-feira (20), o governador Romeu Zema se pronunciou sobre a situação e informou a prisão de quatro suspeitos durante uma operação policial realizada na segunda-feira (19). Segundo o chefe do Executivo estadual, os detidos tentaram fugir, invadiram uma residência e tentaram escapar pelo telhado, mas foram localizados e presos. Na ação, foram apreendidas armas de fogo, drogas e uma motocicleta com registro de furto.
A tensão no Barreiro está associada a um cenário mais amplo de expansão de facções criminosas em Belo Horizonte e em Minas Gerais ao longo dos últimos anos, com agravamento a partir do segundo semestre de 2025. Em 19 de novembro do ano passado, uma tentativa de invasão atribuída ao Terceiro Comando Puro (TCP) no Morro das Pedras, região Oeste da capital, marcou um novo capítulo do conflito envolvendo grupos rivais.
Dez dias depois, em 29 de novembro, a violência chegou ao Barreiro com a execução de um homem de 47 anos no bairro Bonsucesso, atingido por disparos de fuzil. Familiares relataram que ele tinha ligação anterior com o tráfico e possível envolvimento em crimes na região Oeste. Em 4 de dezembro, um ataque durante um churrasco no Conjunto Esperança deixou dois mortos e nove feridos, entre eles moradores sem ligação com o crime, segundo relatos policiais.
Os episódios se sucederam em janeiro. No dia 11, um homem de 41 anos morreu após ser atingido por uma bala perdida na Vila Cemig. Já no último domingo (18), um suspeito de envolvimento no ataque de dezembro foi apontado como autor de um atentado em um bar na avenida Silva Lobo, nas proximidades do Morro das Pedras, que resultou na morte de um adolescente de 14 anos e de um homem de 32. Outro menor ficou ferido.
A escalada da violência levou à alteração preventiva de itinerários de transporte coletivo. Desde segunda-feira (19), as linhas 332 (Estação Barreiro/Milionários) e 319 (Vila Cemig/Estação Barreiro) operam com mudanças no trajeto, conforme confirmação da Superintendência de Mobilidade. A medida foi adotada diante do risco à circulação de ônibus em áreas afetadas pelo conflito.
Além dos confrontos, moradores relatam a circulação de mensagens anônimas em aplicativos de troca de mensagens, com regras impostas para o trânsito de veículos nas comunidades. Os textos orientam motoristas a trafegar com faróis baixos e luz interna acesa, sob ameaça de represálias, e pedem que moradores de áreas controladas por facções rivais evitem a Vila Cemig.
A Polícia Militar de Minas Gerais informou que tomou conhecimento das mensagens e que o conteúdo está sendo apurado quanto à autoria e veracidade. A corporação afirmou ainda que não há confirmação oficial de ligação das mensagens com facções de outros estados e que o reforço do policiamento motivou a adoção temporária das mudanças no transporte.
Enquanto as investigações seguem, moradores do Barreiro convivem com um cenário de tensão constante, marcado por operações policiais, restrições na mobilidade urbana e o temor de novos episódios de violência.

