Criado em 1999 para estimular a atividade econômica de micro e pequenos empreendedores formais e informais, a Associação de Crédito Popular de Itabira (Banco do Povo) corre sérios riscos de fechar. A informação foi levada a público em assembleia com membros da associação, nessa sexta-feira, 15 de junho.
O presidente em exercício, João Torres, informou que a situação foi acarretada por inadimplências de clientes, que ultrapassam a casa de R$ 215 mil (de 2001 a 2013), valores que corrigidos mais que triplicam, chegando a R$ 750 mil. Os empréstimos concedidos no período até 2012 estão vencidos e houve prescrição das dívidas, já que o prazo para ajuizar as ações venceu. A média de empréstimos solicitados pelos clientes normalmente é próxima de R$ 2 mil, que, na somatória, daria para abrir crédito a 375 pessoas.
Além disso, há dívidas de 12 meses com a funcionária da unidade e com fornecedores, corrigidos até março, que se aproximam de R$ 65 mil. O terceiro fator seria a falta de repasses financeiros à instituição. No início da assembleia, a primeira opção colocada pela diretoria seria o fechamento da unidade, mas, após discussões entre os membros, possíveis soluções começaram a aparecer.
Uma das alternativas seria tentar que o Banco do Povo administre o Fundo Municipal de Cultura. Esse fundo corresponde a 1% do no orçamento municipal anual. algo em torno de R$ 5 milhões. O presidente planeja marcar uma reunião com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo, José Don Carlos Alves Santos, e, posteriormente, com o prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães, para tentar uma solução o quanto antes, já que quanto mais tempo passar, mais as dívidas aumentam.
Representante do secretário de Desenvolvimento Econômico na reunião, Martinho Francisco disse que levará a demanda ao chefe da pasta.
Gerenciar recursos
O presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), Marcelino de Castro, acredita que seja viável o setor utilizar o Banco do Povo para gerenciar os recursos reembolsáveis, modalidade que precisa de um agente financeiro para poder disponibilizar recursos.
“O Banco do Povo, ao meu ver, é o agente financeiro que o município já tem, que vai ser útil no sistema de financiamento da Cultura”, defendeu.
Praticamente voluntária
A única funcionária do local, além do presidente, tem atuado em várias frentes na associação. A agente de crédito Isabel Cristina Bravim Oliveira tem acumulado diversas funções, trabalhando como gerente e também na área administrativa. Porém, segundo ela, “tem um ano que eu não recebo salário e eu venho todos os dias rigorosamente, pegando serviço às 8h e largando às 16h”. Ela trabalha no local desde 2001.
Isabel acredita que um aporte financeiro demandaria mais trabalho no local, mas também possibilitaria a contratação de mais um funcionário para auxiliar, pois em sua rotina, precisa fazer visitas aos clientes. Sabendo dessa nova realidade, com um possível fechamento do banco, os próprios clientes evitam procurar a instituição financeira. “Hoje só temos 11 pessoas”, resume.

