Uma servidora administrativa foi presa suspeita de desviar cerca de 200 a 220 armas de fogo que estavam sob custódia da 1ª Delegacia de Polícia do Barreiro, na Região Oeste de Belo Horizonte.
A investigação, conduzida pela Corregedoria-Geral da PCMG, revelou que o sumiço do arsenal foi descoberto após uma arma apreendida aparecer novamente em circulação, durante uma ocorrência em Contagem, na Região Metropolitana. A checagem no sistema indicava que o armamento deveria estar guardado na delegacia do Barreiro — o que levou à conferência do acervo e à constatação do desaparecimento em massa.
A prisão da servidora
A servidora identificada como Vanessa de Lima Figueiredo foi detida em Belo Horizonte, em cumprimento a mandado de prisão expedido após as primeiras diligências. Buscas também foram realizadas em sua casa e na residência da mãe, no bairro Salgado Filho. A suspeita foi encaminhada ao sistema prisional e responderá por crimes como peculato e extravio de arma de fogo, previstos no Código Penal e no Estatuto do Desarmamento.
Durante a apuração, a corregedoria descobriu que a servidora era a única pessoa com acesso direto à sala onde as armas eram armazenadas. Além disso, testemunhas relataram que ela ostentava bens incompatíveis com seu salário, levantando suspeita de enriquecimento ilícito.
Como a fraude foi descoberta
O esquema veio à tona após policiais encontrarem uma arma em uso irregular cujo número de série constava como apreendido. Ao revisar o acervo da 1ª DP do Barreiro, a equipe descobriu que dezenas de armas — depois contabilizadas em mais de 200 — haviam sumido.
A perícia realizada na delegacia não encontrou sinais de arrombamento, o que reforçou a tese de ação interna e acesso autorizado.
O que dizem as autoridades
Em nota, a Polícia Civil confirmou a instauração de inquérito policial e processo de correição administrativa para apurar responsabilidades.
“Até o momento, não há qualquer indício de envolvimento de organização criminosa. Aparentemente, as armas eram de baixo calibre ou obsoletas”, afirmou o delegado-geral Rômulo Guimarães Dias.
O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol-MG) também se manifestou, cobrando a criação de uma central de custódia de armas e provas — estrutura prevista na Lei Anticrime (13.964/2019) — para evitar casos semelhantes.
Repercussão e críticas
A revelação do desaparecimento das armas causou indignação dentro e fora da corporação. Especialistas em segurança pública alertam que o caso demonstra falhas graves na cadeia de custódia e pode comprometer investigações e a segurança da população.
Mesmo que parte do armamento seja de calibres menores, a quantidade e a ausência de controle representam risco real de que as armas estejam sendo usadas em crimes.
Próximos passos
A PCMG informou que os materiais apreendidos durante as buscas — incluindo cartão de memória, registros de acesso e documentos internos — estão sendo analisados pela perícia técnica.
O caso segue sob sigilo e novas diligências serão realizadas para rastrear o destino das armas e identificar eventuais cúmplices. A corporação promete adotar medidas administrativas para reforçar o controle de custódia em todas as unidades.

