Paulo Henrique Dias
De Belo Horizonte
Belo Horizonte viveu uma sexta-feira atípica neste 20 de março. Sem o movimento intenso como é de costume na capital de Minas Gerais, ruas e avenidas ficaram praticamente desertas. O cenário é resultado do decreto expedido pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), publicado na última quarta-feira (18), em edição extra do “Diário Oficial do Município“. Entre as ações, o chefe do executivo proibiu, a partir de hoje, o funcionamento de estabelecimentos e espaços com capacidade de aglutinar público. Apenas os comércios de rua estão autorizados a funcionar, desde de que não representem risco de aglomeração e mantenha regras de restrição.
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Tudo para evitar a proliferação do coronavírus em Belo Horizonte. A capital mineira regista 20 casos confirmados, além de 1.968 suspeitos. Outra modificação importante está na circulação dos ônibus do transporte público municipal, que passam a adotar horários atípicos.
Nova rotina
Para combater a proliferação do vírus e evitar, assim, a superlotação do sistema de saúde, medidas foram tomadas por parte das empresas que aderiram ao modelo home office. Os colaboradores continuarão trabalhando, só que em casa.
As instituições de ensino superior também adotaram medidas de segurança para combater o vírus. As aulas presenciais foram suspensas, os encontros são feitos por meio dos sistemas das faculdades, como conta a estudante do 4° período de Pedagogia, Karine Pinheiro, 27, que desde quarta-feira (18), está realizando as atividades remotamente. “Não gosto de aulas online, mas é uma forma de não nos prejudicar na escola. Com esse método a distância, vai ajudar a minimizar o vírus se todos colaborarem”, afirma.
Se isolar é importante
Segundo Estêvão Urbano, infectologista do Hospital Madre Teresa e Presidente da Sociedade Mineira de Infectologista, as medidas adotadas em Belo Horizonte são fundamentais para que se possa conter uma possível explosão dos casos.
Ele avalia que as medidas tomadas até agora na capital “são até mais restritivas do que a média do país”. “As pessoas estão sendo orientadas, os hospitais estão sendo treinados e o isolamento social já começou”, comenta.
Questionado sobre o que ainda não foi falado sobre o vírus, o infectologista é direto na resposta: “Praticamente tudo tem sido falado. Agora, existem muitas perguntas e algumas respostas ainda inexistentes. Mas, por enquanto, tudo já foi abordado como: o que é o vírus, a sua forma de transmissão, os sintomas da doença e a prevenção.”
No Estado
Segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (20), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o Estado de Minas Gerais tem 4.122 casos notificados: 38 confirmados e 4.084 sob investigação. Além dos 20 casos da capital, as outras confirmações estão em: Juiz de Fora (5); Nova Lima (4); e Uberlândia, Uberaba, Coronel Fabriciano, Divinópolis, Ipatinga, Patrocínio, Sete lagoas, Mariana e Poços de Caldas, com um caso, cada.

