O Valeriodoce Esporte Clube apresentou oficialmente, nesta quarta-feira (16), Bernardo Lage como diretor de futebol para a disputa do Módulo II de 2025. O gestor já vinha atuando no cargo desde fevereiro, mas concedeu sua primeira coletiva de imprensa na tarde de ontem, no auditório da CDL Itabira – junto do presidente do Dragão, João Mário de Brito.
Bernardo Lage tem 32 anos e já foi responsável pelo departamento de futebol de Coimbra e Vila Nova, possuindo graduação em administração pela Universidade Estácio de Sá (2019), curso de gestão de futebol pela CBF Academy (2015) e curso de Coordenação Técnica de Base pela mesma entidade (2016). O profissional – que conseguiu quatro acessos nas divisões do futebol mineiro – afirmou categoricamente que o objetivo do Valério no Módulo II é alcançar o tão sonhado retorno à elite estadual.
O diretor de futebol – que é filho do prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB) – também afirmou estar pronto para assumir as responsabilidades à frente do clube: “Eu sei que vou ser muito mais cobrado do que eu seria em qualquer outro lugar que eu fosse, mas [estou] muito motivado. Muito motivado, com um sentimento muito bom de poder fazer pelo Valério, de poder fazer pela nossa cidade, por tudo que envolve o clube e a potência que é o Valério”, disse .
Lage também comentou sobre o plantel montado por ele, o treinador Ito Roque e Francis Melo, empresário que tem auxiliado Valério nos bastidores e contratações, representando os interesses de um investidor (ou grupo) anônimo que está em tratativas para assumir o controle do futebol do VEC.
“A gente buscou montar um elenco e uma comissão de vencedores. Isso foi uma premissa na escolha de todos os atletas, que são jogadores que acumulam títulos e acessos. Assim como no caso do Ito [Roque], que por onde passou fez história. Foi um processo muito detalhado que a gente fez para escolher os nomes certos para conseguirmos atingir os objetivos que é o acesso e o título, sem dúvida nenhuma”.
Bernardo tinha proposta de clube dos Estados Unidos
O prefeito Marco Lage, pai de Bernardo, também participou da coletiva de imprensa e além de comentar sobre o apoio da gestão municipal ao projeto esportivo do Valério, revelou que o filho possuía duas possibilidades de trabalho – no Coimbra e em um clube dos Estados Unidos. A situação, segundo ele, lhe causou um certo receio. “Eu confesso que fiquei torcendo para ele ir para os Estados Unidos, até porque “filho do prefeito”… Infelizmente a política tem essas maldades”.
Após a coletiva de imprensa, Bernardo Lage também bateu um papo exclusivo com a DeFato. Confira a entrevista.
“Você já possui passagens por Coimbra e Vila Nova e agora chega ao Valério, clube do qual você tem um vínculo desde a infância. Estar a frente desse projeto de futebol do Valério é o maior desafio da sua vida até o presente momento?”
“Eu me sinto preparado, vejo o Valério como um clube especial, por tudo que representa pra toda minha família e para mim. Tenho experiências maravilhosas com o Valério, que vem da infância, de ver o Israel Pinheiro lotado e de vibrar com o Valério subindo pra primeira divisão. É um sentimento diferente, mas me sinto muito preparado.
O Coimbra pra mim foi de um aprendizado enorme, eu sempre friso isso, o Hissa Elias Moisés é meu mentor, que admiro e respeito tanto. Agora, lógico, tenho esse desafio novo, mas com essa bagagem já de Coimbra e Vila Nova, dentro da parceria que foi feita, com acesso e títulos. Eu acredito que eu posso somar com toda a equipe, com tudo que a gente vem formando para atingir o objetivo que é acesso e coroar com título também do Módulo II, retomando o Valério nos caminhos de glórias aí que ele já teve e que a gente espera que esteja daqui uns anos. No ano que vem já na primeira divisão e na sequência, que seja um projeto longevo, com a gente construindo e estruturando esse Valério com base, com uma série de fatores, com um projeto legal e sólido por trás. E aí o céu é o limite”.
“O João Mário de Brito [presidente do VEC] já elencou que o objetivo é voltar à elite do futebol mineiro. Claro, o futebol é construído a cada dia, mas essa é a mentalidade que vocês estão tentando colocar na cabeça dos jogadores? O Valério vai entrar no campeonato, não pela permanência no Módulo II, mas em busca do acesso?”
“O objetivo é esse, é claro. Está claro internamente, a gente vem externando isso também. Não vejo motivo de a gente ficar com melindre, sabe?! Existe a responsabilidade, a partir do momento que você coloca isso. A gente conta muito com o apoio da cidade, do torcedor, da imprensa, pra gente remar junto, isso é muito importante e vai ser determinante pra gente conseguir o objetivo. Mas não tem que esconder, né, o objetivo é esse. O objetivo é acesso, nosso objetivo é título. A gente sabe da dificuldade, é um campeonato dificílimo, tanto que eu corrigi meu pai, porque é um [acesso conquistado] que ele estava me tirando (risos).
É difícil demais, é uma primeira divisão no Módulo II, não tem dúvida disso, mas a gente se sente preparado e confiante. A gente quer realmente praticar o que a gente vem falando, não é uma meta, um objetivo nosso imaginário. A gente quer realmente envolver todo mundo nessa luta pelo acesso, que vai ser duríssimo. Mas espero muito que a gente tenha isso e chegue em agosto comemorando demais junto com toda a população itabirana.
“O Valério está montando um elenco com atletas vitoriosos, com bagagem em competições nacionais, acessos em diferentes campeonatos estaduais… Esse foi um objetivo determinado? De montar um elenco qualificado e experiente?
“Sem dúvida. A gente sabe que pra vestir a camisa do Valério tem um peso, a camisa do Valério é uma camisa tradicional e para isso a gente precisa de atletas preparados para vesti-la. São atletas vencedores, atletas que a gente buscou e que tiveram sucesso onde passaram. Alguns atletas jovens também, né, mas que a gente acredita muito que já tem uma bagagem de jogos interessante, e acima de tudo um elenco comprometido com o objetivo do Valério.
“Satisfeito em ter aberto mão dos Estados Unidos para estar aqui em Itabira?”
“Cara, eu sempre falei, quando surgiu essa possibilidade aqui, eu falava: “Pai, eu vou ir, eu vou assumir, eu me sinto preparado, eu quero estar nisso, eu quero estar dentro, eu quero ajudar, eu quero fazer pelo Valério, pelo nosso clube, pelo nosso time, pela nossa cidade, e esse é o meu sentimento puro mesmo. Eu falo isso de coração aberto, de peito aberto. Eu estou aqui, a minha responsabilidade é muito maior do que em qualquer outro lugar, tenho ciência disso e falei isso desde o início, inclusive com meu pai.
Eu sei da responsabilidade que eu tenho, eu vou ser muito mais cobrado do que eu seria em qualquer outro lugar que eu fosse, mas [estou] muito motivado, cara. Muito motivado, com um sentimento muito bom de poder fazer pelo Valério, de poder fazer pela nossa cidade, por tudo que envolve o clube, a potência que é o Valério. Eu quero muito, muito alcançar esse objetivo de primeiro voltar o Valério pra primeira divisão, e a partir daí, como eu disse aqui: o céu é o limite”.

