A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga se os uniformes e distintivos utilizados por criminosos que invadiram um churrasco no Conjunto Esperança, no bairro Bonsucesso, região do Barreiro, eram oficiais da instituição. O ataque ocorreu na madrugada desta quinta-feira (4/12) e deixou duas pessoas mortas e nove baleadas.
Segundo as informações iniciais, os criminosos chegaram ao local em um Volkswagen T-Cross e duas motocicletas, usando o que aparentavam ser roupas, distintivos e acessórios da Polícia Civil. O alvo seria um dos chefes do tráfico na região. A ação, segundo a Polícia Militar (PMMG), foi rápida e violenta.
Perícia, mortos e feridos
A PCMG informou que deslocou a perícia oficial para realizar todos os levantamentos necessários.
Os corpos das duas vítimas, ainda não identificadas oficialmente, foram levados ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IMLAR), onde passam por exames de necropsia e identificação.
Conforme o boletim de ocorrência, nove suspeitos, com idades entre 20 e 38 anos, foram encaminhados para atendimento médico. Eles continuam internados sob escolta policial e, após alta, serão conduzidos ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para serem ouvidos.
Suspeitos detidos e materiais apreendidos
A Polícia Militar também conduziu dois homens, de 22 e 26 anos, ao DHPP. Eles prestaram depoimento, mas a PCMG informou que os procedimentos de polícia judiciária seguem em andamento.
Durante a ocorrência, foram apreendidos:
-
dois fuzis calibre 5,56
-
uma pistola com kit Roni
-
grande quantidade de munições
-
distintivos e camisas com a marca da PCMG
-
colete tático e balaclavas
-
celulares
-
um T-Cross usado no ataque
Os itens identificados como uniformes e insígnias da Polícia Civil serão enviados para exames periciais que vão determinar se são originais ou falsificados.
Motivação e disputa entre facções
A investigação preliminar aponta que o ataque teria sido motivado por disputa de território entre facções que atuam no tráfico de drogas na região do Barreiro. O churrasco reunia integrantes do grupo alvo, incluindo um dos supostos líderes, que estaria presente no momento da invasão.
Os criminosos armados e vestidos como policiais teriam utilizado a falsa identificação para se aproximar das vítimas sem levantar suspeitas.
Vice-governador Mateus Simões se pronuncia
Durante entrevista nesta manhã, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), criticou o uso de uniformes da Polícia Civil por criminosos e afirmou que o governo estadual pretende cobrar mudanças na legislação federal para restringir a produção e comercialização desses materiais.
Simões classificou a situação como “grave” e destacou que o uso de simbologia policial por facções facilita a execução de ataques:
“Não há dúvida de que houve a utilização de camisas de identificação da Polícia Civil. Vamos cobrar mudanças na lei para evitar abusos como esse.”
Ele ainda afirmou que novas prisões podem ocorrer nas próximas horas e que as forças de segurança estão mobilizadas.
O que a PCMG diz até agora
Em nota enviada à imprensa, a Polícia Civil informou:
-
A perícia foi acionada e realizou levantamentos no local.
-
Os corpos foram encaminhados ao IMLAR.
-
Dois homens foram conduzidos ao DHPP.
-
Os uniformes e distintivos passarão por análise técnica.
-
A investigação segue em sigilo.
Próximos passos
Nos próximos dias, a Polícia Civil deverá:
-
concluir a análise dos materiais apreendidos
-
identificar oficialmente os mortos
-
ouvir os feridos após alta médica
-
definir se houve desvio de material oficial ou falsificação sofisticada
-
avançar sobre a motivação e a possível participação de facções rivais
A reportagem seguirá acompanhando as atualizações do caso.

