Site icon DeFato Online

Blocos tradicionais cobram política de apoio permanente para o Carnaval de BH

Blocos tradicionais cobram política de apoio permanente para o Carnaval de BH

Foto: Reprodução/Beth Freitas/Pisa na Fulô

Representantes de blocos tradicionais de Belo Horizonte cobraram, nesta terça-feira (23), a criação de políticas públicas permanentes para garantir a continuidade do Carnaval de rua da capital. As reivindicações foram apresentadas em audiência pública na Câmara Municipal, que discutiu os impactos sociais, culturais e econômicos da festa e a situação dos trabalhadores envolvidos na realização da folia.

O principal ponto levantado pelos blocos foi que o crescimento do Carnaval de BH não foi acompanhado por uma estrutura contínua de financiamento, planejamento e apoio aos grupos locais. Segundo os representantes, a festa passou a atrair público maior e grandes atrações, mas os coletivos que ajudaram a construir a folia seguem enfrentando falta de recursos, dificuldade para conseguir patrocínio e incerteza sobre condições básicas de organização.

A discussão ocorre em meio ao debate sobre o espaço ocupado por megablocos e artistas de projeção nacional no Carnaval da capital. Enquanto esse modelo atrai multidões e fortalece o apelo turístico da festa, representantes de blocos tradicionais afirmam que há risco de perda de protagonismo da cena local, formada por artistas, percussionistas, produtores culturais e coletivos que atuam durante todo o ano.

Durante a audiência, integrantes dos blocos defenderam que o Carnaval seja tratado também como política cultural, e não apenas como evento turístico. Entre as demandas estão editais com calendário previsível, antecipação das subvenções, espaços para ensaios, locais para guardar instrumentos e materiais e participação dos grupos na construção das regras da festa.

A ausência de estrutura para ensaios e armazenamento foi apontada como uma das dificuldades enfrentadas pelos blocos. Representantes afirmaram que muitos grupos dependem de trabalho voluntário e operam sem garantia sobre recursos, locais de preparação e condições para manter atividades até o período oficial do Carnaval.

A valorização de blocos afros, periféricos e ligados a territórios tradicionais também foi incluída entre as reivindicações. Integrantes desses grupos relataram dificuldades para manter projetos sociais, organizar saídas e enfrentar situações de intolerância religiosa em algumas regiões da cidade.

Outro ponto discutido foi a situação dos catadores de materiais recicláveis. Segundo dados apresentados pela ReciclaBelô, 465 catadores participaram da operação do Carnaval de 2026 e recolheram mais de 51 toneladas de resíduos em quatro dias. Representantes da categoria defenderam que a remuneração não dependa apenas da venda do material coletado.

A audiência também tratou da participação de ambulantes e outros trabalhadores que atuam durante a festa. Parlamentares e representantes da sociedade civil defenderam que esses grupos sejam incluídos nas discussões sobre infraestrutura, organização, circulação e políticas de apoio ao Carnaval.

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur e da Secretaria Municipal de Cultura, reconheceu parte das demandas apresentadas. Representantes do Executivo informaram que grupos de trabalho já discutem o Carnaval de 2027 e que os editais devem ser construídos com antecedência para permitir a antecipação de subvenções.

Também foi mencionada a possibilidade de uso de centros culturais para ensaios dos blocos e a intenção de viabilizar um espaço permanente para armazenamento de materiais carnavalescos. As propostas ainda dependem de definição administrativa e deverão ser tratadas nas próximas etapas de planejamento do Carnaval de 2027.

Exit mobile version