Em entrevista à Revista Oeste, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira (27) que as reuniões ministeriais durante o seu governo eram gravadas para publicar trechos nas redes sociais e que depois seriam descartadas.
Bolsonaro afirmou que o seu governo parou de fazer as filmagens depois que Sérgio Moro (hoje senador pelo União Brasil-PR), deixou o Ministério da Justiça e apontou as falas do ex-presidente em uma reunião do seu ministério como prova de que o então chefe do executivo tentava interferir na Polícia Federal para proteger seus filhos de investigações.
Após a divulgação do vídeo, o governo decidiu parar com esse tipo de gravações. Bolsonaro afirma que não sabe quem gravou o vídeo que teria embasado a operação Tempus Veritatis, da PF, que o tem e a seus aliados como alvos em 8 de fevereiro.
“Ninguém vai programar um golpe na frente de pelo menos 30 pessoas {…} é mais uma forçação de barra”, finalizou.
A operação Tempus Veritatis foi deflagrada no dia 8 de fevereiro de 2024 contra Jair Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de golpe. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo a investigação, os suspeitos trabalhavam para invalidar os resultados que deram a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes mesmo das eleições de 2022.
Entre os principais alvos estão:
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL;
Anderson Torres, ministro da Justiça do governo Bolsonaro;
Filipe Martins, assessor da Presidência da República no governo Bolsonaro;
Walter Braga Neto, foi ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente na chapa com Bolsonaro;
General Estevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército;
Almirante Almir Garnier, assessor especial militar do Ministério da Defesa de Dilma e comandante da Marinha na metade da gestão Bolsonaro;
Tércio Arnauld Tomaz, assessor especial da gestão Bolsonaro;
Aílton Barros, major reformado;
Coronel do Exército, Marcelo Câmara, assessor de Bolsonaro;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército, ministro da Defesa durante o último ano da gestão Bolsonaro.

