O ex-presidente Jair Bolsonaro esteve por cerca de 4 horas na sede da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (16), onde prestou depoimento sobre o esquema de fraude no cartão de vacinação do Covid-19, na Operação Venire. Bolsonaro voltou a afirmar que nunca se vacinou e negou ter participação na adulteração das informações nos sistemas do Ministério da Saúde. O ex-presidente também alega ter tomado conhecimento do fato somente depois de a investigação ter se tornado pública, e que não determinou a fraude em seu cartão.
Questionado sobre quem tinha acesso à sua conta no aplicativo Conecte SUS – plataforma utilizada por um computador do Palácio do Planalto para emitir os cartões falsos em seu nome -, Bolsonaro alegou não saber usar o aplicativo e atribuiu ao seu ex-ajudante de ordens a administração de sua conta, mas não soube dizer quem acessou o computador do Palácio. No entanto, o ex-presidente afirmou não acreditar no envolvimento do tenente-coronel Mauro Cid na adulteração.
O e-mail funcional do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, estava vinculado ao perfil de Bolsonaro na plataforma. Também o e-mail do coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, ex-assessor especial da Presidência da República, foi usado em uma atualização do cadastro.
Os investigadores avaliam que esse fato enfraquece a versão de que Mauro Cid possa ter agido sozinho, e acreditam que ele tenha tentado fraudar também os cartões de sua mulher e filhas, com o objetivo de burlar a exigência do comprovante de vacinação para viagens internacionais. As restrições sanitárias entraram em vigor no auge da pandemia. Sobre Mauro Cid, o presidente afirmou que ele cuidava de toda a sua gestão pessoal. Cid deve ser ouvido nesta quinta-feira (18) e sua mulher na sexta (19).
A respeito de conversas golpistas, o ex-presidente afirmou que não sabia do plano de golpe descoberto pela PF a partir das conversas entre o ex-major do Exército Aílton Barros e o coronel Elcio Franco, e que mantinha conversas esporádicas com o ex-major, “mas que essas conversas ocorriam sobretudo em momentos eleitorais”, e que nunca participou ou incentivou qualquer investida contra as instituições democráticas.
O cartão de vacinação da filha, Laura Firmo Bolsonaro, de 12 anos, foi emitido em inglês pelo aplicativo Conecte SUS, no dia 27 de dezembro, um dia antes de seu embarque para Miami, nos Estados Unidos. Em contraponto, Bolsonaro disse que a filha não foi imunizada por orientação médica e que não fez o cadastro dela na plataforma.
A Polícia Federal defende que o ex-presidente e sua mulher, Michelle Bolsonaro, respondam pela falsificação do cartão de vacinação da filha, porque Laura é menor de idade. Em seu depoimento, Bolsonaro também negou conhecer o ex-secretário municipal de Duque de Caxias, João Carlos Brecha, além de negar proximidade com Gutemberg Reis, deputado federal (MDB-RJ).

