A duplicação da BR-381 voltou ao centro das discussões regionais nesta semana durante uma reunião promovida pela Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba (Amepi). O encontro reuniu prefeitos, lideranças municipais e representantes da concessionária Nova 381 para apresentar o andamento das obras, esclarecer dúvidas e discutir os próximos passos de um dos projetos de infraestrutura mais aguardados da região.
O presidente da Amepi e prefeito de Rio Piracicaba, Augusto Henrique (Cidadania), destacou que a duplicação representa uma transformação histórica para o Médio Piracicaba. Segundo ele, além de aumentar a segurança viária, a obra deve impulsionar a mobilidade, fortalecer a logística e ampliar a capacidade de atração de investimentos para os municípios cortados pela rodovia.
Participaram da reunião o gerente de Operações da Nova 381, Diego Dutra, o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos “Nozinho” (PDT), a vice-prefeita de Bela Vista de Minas, Rode Basílio (União), o secretário executivo da Amepi, Guilherme Nasser, além de outros representantes municipais.
Trevos de João Monlevade terão intervenções imediatas
Um dos principais temas debatidos foi a situação dos acessos de João Monlevade. De acordo com a concessionária, estudos de microssimulação de tráfego apontaram a necessidade de melhorias emergenciais nos dois trevos da cidade.
A Nova 381 informou que aproximadamente R$ 3 milhões serão investidos nas intervenções, que devem começar em julho. A expectativa é que as obras sejam concluídas em até três meses, reduzindo gargalos e melhorando a fluidez do trânsito.
Segundo Diego Dutra, embora as intervenções tragam ganhos importantes, a solução definitiva para a mobilidade local virá com a duplicação da rodovia. O projeto prevê velocidade máxima de 80 km/h no perímetro urbano de João Monlevade e a implantação de vias marginais para separar o tráfego local do fluxo de longa distância, aumentando a segurança dos usuários.
Pedágios e modelo da concessão
Outro assunto que gerou questionamentos foi a cobrança de pedágios ao longo da concessão.
Segundo o gerente da Nova 381, os valores são definidos a partir de estudos técnicos que levam em consideração o volume de tráfego e os investimentos previstos ao longo do contrato. Ele explicou que, caso a cobrança fosse iniciada apenas após a conclusão de todas as obras, as tarifas poderiam alcançar cerca de R$ 80.
O modelo adotado, entretanto, distribui os investimentos ao longo dos anos da concessão, permitindo tarifas menores e viabilizando financeiramente o cronograma de obras.
Traçado prevê pista dupla entre Antônio Dias e São Gonçalo
Durante a apresentação, a concessionária também detalhou o traçado previsto para a duplicação.
O projeto contempla pista dupla contínua entre Antônio Dias, Nova Era, Bela Vista de Minas, João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo. As intervenções incluem cortes de maciços rochosos, correções geométricas e adequações em curvas consideradas críticas, historicamente associadas a acidentes.
A proposta busca aumentar a capacidade da rodovia e reduzir os riscos para motoristas que utilizam diariamente o trecho.
Apoio a caminhoneiros e manutenção entre Caeté e Belo Horizonte
Entre as novidades anunciadas está a implantação de um ponto de apoio para caminhoneiros em Bom Jesus do Amparo. A estrutura será voltada ao descanso dos motoristas e ao suporte das operações logísticas que utilizam a BR-381.
Outro anúncio importante foi a informação de que a Nova 381 assumirá, em até 30 dias, a manutenção do trecho entre Caeté e Belo Horizonte. Embora a duplicação dessa parte da rodovia permaneça sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a concessionária passará a executar serviços como tapa-buracos, capina, pintura de sinalização e melhorias gerais de conservação.
Notificações não significam desapropriação imediata
A reunião também abordou dúvidas relacionadas às notificações enviadas a proprietários de imóveis localizados às margens da BR-381.
Segundo Diego Dutra, os comunicados têm caráter informativo e não representam uma ordem imediata de desocupação. A medida atende à legislação federal que estabelece faixas de recuo para construções próximas às rodovias.
A regra geral determina distância mínima de 15 metros a partir da faixa de domínio, podendo ser reduzida para cinco metros em municípios que possuam legislação específica, conforme prevê a Lei Federal nº 13.913/2019.
Trecho até Governador Valadares entra em fase decisiva
Outro avanço apresentado durante o encontro foi o andamento dos estudos para a duplicação do trecho entre Belo Oriente e Governador Valadares.
De acordo com a concessionária, o material técnico será entregue em Brasília nos próximos dias. A expectativa é que a conclusão dessa etapa contribua para fortalecer a logística regional e ampliar o interesse de empresas em investir na região.
Segundo Diego Dutra, o trecho é considerado estratégico para o escoamento de mercadorias com destino ao Nordeste do país, influenciando diretamente o desenvolvimento econômico do Médio Piracicaba.
Carta-manifesto vai defender continuidade das obras
Ao final da reunião, o presidente da Amepi, Augusto Henrique, e o presidente do Movimento Pró-Vidas da BR-381, Clésio Gonçalves, reforçaram a mobilização regional em defesa da duplicação.
As lideranças discutiram a elaboração de uma carta-manifesto que será encaminhada aos governos Federal e Estadual. O documento defenderá a continuidade e a conclusão das obras, consideradas fundamentais para reduzir acidentes, melhorar a infraestrutura logística e impulsionar o desenvolvimento econômico dos municípios da região.

