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Brasil, Rússia e China criticam ataques dos EUA contra a Venezuela no Conselho de Segurança da ONU

Armada americana interceptou o cargueiro Skipper no mar do Caribe- Foto: Gabinete do procurador-geral dos EUA/ Via CNN

O Conselho de Segurança da ONU reunido nesta terça-feira (23), em Nova York, foi palco de duras críticas dos representantes do Brasil, Rússia e China contra a pressão militar e econômica dos Estados Unidos sobre a Venezuela.

Moscou e Pequim classificaram de “comportamento de caubói” e “intimidação” as atitudes do governo norte-americano.

O embaixador brasileiro Sérgio Danese defendeu no encontro que Washington viola a Carta da Onu.

Os atos cometidos pelos Estados Unidos violam todas as normas fundamentais do direito internacional“, disse o embaixador russo na Organização, Vassily Nebenzia, que descreveu as operações militares próximas à costa venezuelana como uma “agressão flagrante”.

“A responsabilidade de Washington também se evidencia nas consequências catastróficas dessa atitude de caubói”.

Pequim também se pronunciou por meio do seu embaixador nas Nações Unidas, Sun Lei. “A China se opõe a todos os atos de unilateralismo e intimidação, e apoia todos os países na defesa da sua soberania e da dignidade nacional”.

A reunião de emergência do Conselho de Segurança foi requerida pela Venezuela após a intensificação dos ataques norte-americanos contra embarcações no Mar do Caribe, com uma frota de guerra na região, bombardeando embarcações, e deixando, até agora, o saldo de ao menos 105 mortos, além do bloqueio naval a petroleiros venezuelanos, acusando-os de financiar o narcoterrorismo, o tráfico de pessoas, os assassinatos e sequestros.

A Venezuela nega todas as acusações e afirma que os EUA querem derrubar Nicolás Maduro do poder para se apropriar dos recursos naturais do país.

Segundo Sérgio Danese, embaixador brasileiro na ONU, disse que as ações do governo Donald Trump violam os princípios das Nações Unidas.

“O Brasil convida ambos os países a um diálogo genuíno, conduzido de boa-fé e sem coerção. Como o presidente Lula já declarou publicamente, seu governo estará preparado para colaborar, se necessário e com o consentimento dos Estados Unidos e da Venezuela. O Brasil estará preparado para apoiar quaisquer esforços do secretário-geral nessa mesma direção”.

Na abertura da Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, no Paraná, no sábado, 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que seria uma catástrofe humanitária uma intervenção armada dos EUA na Venezuela.

“As verdadeiras ameaças à nossa soberania se apresentam hoje na forma da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado. Passadas mais de quatro décadas, desde a guerra das Malvinas, o continente americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional”.

Samuel Moncada, embaixador venezuelano na ONU denunciou o envio de navios de guerra ao Caribe e o bloqueio naval pelos Estados Unidos. “Representam a maior extorsão conhecida em nossa História. Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós venezuelanos abandonemos nosso país e o entreguemos”.

O vice-secretário-geral da ONU, Khaled Khiari, assegurou no encontro que o secretário-geral, António Guterrez se mostra disposto a apoiar todos os esforços diplomáticos, inclusive exercendo seus bons ofícios, se ambas as partes o solicitarem”.

Em Caracas, logo após a reunião em Nova York, Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela está recebendo “apoio incondicional” do Conselho de Segurança da ONU, destacando que “ninguém será capaz de derrotar seu país”.

As declarações coincidem com a votação em Caracas de uma lei contra pirataria e bloqueios navais, aprovada por unanimidade pela Assembleia Nacional, prevendo penas de prisão de até 20 anos para quem promover ou financiar esses ou outros crimes internacionais.

*Fonte: Carta Capital

 

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