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Brasil salta para o 92º lugar no ranking global da liberdade de imprensa

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A ONG Repórteres Sem Fronteira (RSF) lança o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, em 2018. Na foto, Artur Romeu, coordenador do RSF. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Entre 180 países, o Brasil é o 92º no ranking global de Liberdade de Imprensa, segundo a Organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), em Londres. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (3), quando celebrou-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Embora a posição ainda seja considerada preocupante, houve um ligeiro progresso do país nesse quesito, já que o Brasil figurava no 110º lugar.

Pelo menos 12 países das Américas estão em situação melhor, inclusive alguns países com histórico recente de violações, como Costa Rica e Equador. O melhor classificado é a Noruega, e o pior é a Coreia do Norte.

Embora o Brasil não seja uma ditadura, o país está vivendo um momento de polarização e desinformação que impõe barreiras à imprensa e a informação correta à sociedade. Segundo a RSF, a principal justificativa para a melhora de desempenho do país no ranking é o fim do governo de Jair Bolsonaro, que “atacou sistematicamente jornalistas e veículos de comunicação”, de acordo com um relatório da entidade.

A metodologia adotada pela Global Press Freedom Index, da RSF, confronta dados objetivos com mortes e ataques com a opinião de especialistas sobre o ecossistema de mídia em cada país. São levados em consideração fatores como a segurança e as condições oferecidas à prática do jornalismo.

O enquadramento jurídico lembra que a Constituição Federal de 1988 garante a liberdade de imprensa e, em geral, o ordenamento jurídico brasileiro favorece a liberdade jornalística. No entanto, as leis de transmissão e telecomunicações são antiquadas e permissivas, além de ineficientes.

A organização acrescenta que repórteres e meios de comunicação muitas vezes são submetidos a processos abusivos por parte de políticos e empresários, que usam sua influência para intimidar a imprensa.

A RSF critica também a mídia nas mãos de grupos privados, numa relação até quase incestuosa entre centros de poder  e influência política, econômica e religiosa. Na última década, pelo menos 30 jornalistas foram mortos no Brasil, o segundo da região em mortes de repórteres.

Os mais vulneráveis são blogueiros, apresentadores de rádio e jornalistas independentes que trabalham em municípios de pequeno e médio porte, cobrindo corrupção e política local.

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