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Brasileirão 2019: entre derrotas e merecimentos

No Mineirão, o Atlético foi derrotado pelo xará paranaense - Foto: Leandro Colombo

Cruzeiro é derrotado pelo Santos por placar sintomático. Revés sofrido pelo Atlético diante do Athletico-PR é injusto, mas proporcional ao erro capital.

ATLÉTICO 0X1 ATHLETICO-PR

O Galo foi melhor do que o Furacão durante quase toda a partida. Quando não foi superior, o Atlético passou longe de sofrer. Os visitantes, geralmente indigestos e incômodos na sua maneira de atuar, no domingo à tarde, foram passivos e, sem muito esforço, dominados.

Com um time escalado com cinco jogadores de ataque, ironicamente, faltava ao Alvinegro precisão no momento ofensivo. Faltava armação, um passe de qualidade para fazer com que os atacantes conseguissem infiltrar. Problema que foi resolvido quando Cazares apareceu para o jogo, sempre saindo de seus pés as melhores chances do Galo.

A superioridade do Atlético frente ao Athletico foi traduzida em boas defesas do goleiro Santos e nos dois gols (corretamente) anulados, de Di Santo e Patric. Para o segundo tempo, a sensação era a de que, com um pouco mais de capricho, o Galo chegaria ao gol.

Sensação que permaneceu até os 23’, quando Vagner Mancini tirou justamente o capricho da equipe. Saiu Cazares e com ele toda a capacidade criativa do Atlético. No momento da troca, o grito da arquibancada foi uníssono: “Burro! Burro! Burro!”. Erro tão crasso que fez o próprio Mancini admitir: “Acho que a saída do Cazares acabou pesando muito em termos ofensivos da equipe e todos que entraram não foram bem”.

Só poderia piorar se os paranaenses achassem um gol, casual, num momento qualquer. E foi justamente o que aconteceu. Não foi só pela saída de Cazares que o Atlético perdeu, mas foi a partir dela que a equipe se perdeu. Quem dá chance para o azar não pode falar em merecimento. Castigo pela invenção traduzido em forma de derrota. Muito por culpa de Vagner Mancini, ainda segue a luta para assegurar matematicamente a permanência na Série A.

SANTOS 4X1 CRUZEIRO

Cruzeiro foi à Vila Belmiro e amargou uma goleada no Brasileirão – Foto: Divulgação

Difícil, depois de um empate em casa, diante do rebaixado Avaí, era acreditar que o Cruzeiro poderia oferecer um jogo muito diferente do que apresentou na Vila Belmiro, diante do Santos. O gol de Orejuela tratou de alimentar a doce ilusão. Mas uma partida de futebol, por vezes, é fiel demais aos fatos para um placar simplesmente encobri-los.

Analisar a derrota celeste somente pelo aspecto tático é insuficiente e impossível. Insuficiente porque não é só pelo aspecto tático que a Raposa se encontra na zona de rebaixamento. Já há, institucionalmente falando, um rebaixamento moral. Impossível porque, para analisar taticamente uma partida, é preciso confrontar a parte tática dos dois lados. E só um deles, no sábado, parecia ter tática. E o placar, dessa vez, fez questão de expor qual deles tinha.

Jorge Sampaoli começou a temporada e, ao que parece, vai termina-la comandando o Santos. Com Abel Braga, o Cruzeiro tem seu terceiro técnico no ano. Não questiono a demissão do primeiro, Mano Menezes. Questiono se a saída do segundo, Rogério Ceni, foi justa/bem conduzida e, principalmente, o que motivou a chegada do terceiro, Abel, que não apresenta um bom trabalho desde 2012.

Certamente o aspecto “paizão” falou mais alto. Abel Braga foi contratado para comandar o Cruzeiro na base do paternalismo. Como se boa parte dos jogadores que lá estão precisasse de um pai que lhes passasse a mão na cabeça e não de um bom castigo – codinome para banco de reservas.

Um 4 a 1 sugestivo que só ele. Placar reflexo das diferenças de gestão de elenco, de padrão tático, de comprometimento dos atletas e, com tudo isso somado, do produto final desempenho. O Cruzeiro continua, ainda, dependendo de si mesmo para escapar do rebaixamento. A má notícia é que isso, ainda, continua sendo um problema.

Por Leandro Colombo, graduando em Jornalismo, comentarista esportivo da Rádio Itabira AM 770
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