Atlético joga bem e assegura a permanência matemática na Série A. Cruzeiro tem mais uma atuação sofrível e, literalmente, já não depende mais dele mesmo para escapar do rebaixamento.
VASCO DA GAMA 1X0 CRUZEIRO
Adilson Batista estrearia pelo Cruzeiro. A formação tática escolhida era finalmente diferente: 4-3-3 desenhado e armado para jogar no contra-ataque. A escalação era inédita, com os medalhões, antes privilegiados por Abel Braga, agora no banco de reservas. Nove minutos oferecendo um jogo de igual para igual. Gol do Vasco.
Por mais que as circunstâncias exigissem uma expectativa pessimista, muitas novidades de uma só vez numa partida de futebol, querendo ou não, sempre tendem a dar um fio de esperança. Mas o gol do Vasco foi sintomático: parece não importar o que o Cruzeiro tente ou se disponha a fazer, o desempenho não vem, e o resultado também não.
Depois do gol, o Vasco sentou em cima da vantagem para jogar no erro do Cruzeiro. O que se viu, então, foi um jogo tecnicamente ruim: a Raposa não conseguia ligar meio-campo e ataque, não conseguia dar sequência a qualquer jogada ofensiva, não conseguia trocar mais de três passes no campo de ataque, enquanto o Vasco não se importava com o jogo feio, porque o placar era mais que suficiente.
Adilson Batista não tem a menor culpa do que acontece com o Cruzeiro na temporada, mas mesmo na estreia errou, ou, no mínimo, deixou de arriscar: não colocou Robinho quando a equipe precisava de armação no meio-campo, tirou Pedro Rocha, que, dentre os 11, era um dos melhores, que chamava mais faltas e criava oportunidades. Fred tem sido medonho demais para merecer mais chances que Sassá.
Demorou demais até o Cruzeiro conseguir ao menos o abafa, na base da imposição física e da pressão por meio dos cruzamentos. Aos 41 do segundo tempo, o lance mais perigoso e caricato da Raposa: cruzamento de Egídio, a sobra ficou com Fred na marca do pênalti, ele fez parede e rolou para Marquinhos Gabriel chutar cruzado com a (ruim) direita para fora.
Num só lance, a falta de confiança do centroavante para girar e por conta própria tentar o gol, o erro na finalização debaixo da trave e a desolação coletiva após a oportunidade perdida. O Cruzeiro já não depende exclusivamente dele mesmo para escapar da degola. Dos três últimos adversários, o próximo é, de longe, o mais difícil. O concorrente direto Ceará joga em casa. Depois de somar um de seis pontos contra Avaí e CSA, reservo-me o direito de afirmar que só um milagre tira o clube do inédito rebaixamento.
ATLÉTICO 2X1 CORINTHIANS
O Corinthians dominou os 15 minutos iniciais da primeira etapa. Um trio de ataque leve e de bastante movimentação confundiu e assustou o Atlético em plena Arena Independência. O Galo melhorou ao passo que seu meio-campo melhorou: Jair e Zé Welison defensivamente. Cazares, ofensivamente.
O primeiro gol do Galo, aliás, ilustrou bem a boa atuação de três jogadores: retomada de bola de Jair para Marquinhos, e dele para Cazares – para o gol. O gol de empate do Corinthians, que saiu logo no minuto em seguida, poderia ser a clássica ducha de água fria para o Atlético. Mas o alvinegro mineiro manteve a concentração e, sobretudo, a superioridade na partida.
A segunda etapa foi naturalmente menos intensa. O Corinthians já parecia aceitar o empate, enquanto o Atlético buscava a vitória. Para o Galo, nas três partidas anteriores o cenário era o mesmo: vencer significaria assegurar a permanência matemática na Série A. E se um pênalti fosse o caminho para isso, melhor deixar bater quem raramente erra. Fábio Santos partiu para a cobrança. E o alívio de espantar de vez qualquer risco de rebaixamento veio em forma de gol.
O torcedor atleticano aplaudiu a equipe, vibrou com o resultado. Não peço para que o torcedor do Galo não comemore a vitória, mas insisto para que relembre os fatos que o fizeram comemorar e sentir esse alívio só agora, duas rodadas antes do fim do campeonato.
Vagner Mancini prometeu terminar a temporada de maneira “digna”. Em sua entrevista coletiva ao final da partida disse que vai pra cima de Botafogo e Internacional. Que vá. Mas que os dois últimos adversários do Atlético na temporada sejam também os últimos dele comandando o clube. A escolha ruim e precipitada de treinadores, mais uma vez, marcou negativamente a temporada do Atlético. Mancini, definitivamente, não foi exceção. Para 2020 começar, no mínimo, com mais expectativa, é sem ele.
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