Site icon DeFato Online

Briquete e mineração circular: André Viana aponta caminhos para industrialização de Itabira

Briquete e mineração circular: André Viana aponta caminhos para industrialização de Itabira

Foto: Samuel Elom/ DeFato Online

O presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana, reforçou a necessidade de o Brasil — e especialmente Itabira — retomarem a agenda da industrialização, perdida ao longo do século XX. Para ele, a cidade vive até hoje os efeitos de escolhas históricas que priorizaram a extração primária e abriram mão de discutir caminhos tecnológicos e industriais ligados ao minério.

“Itabira não foi industrializada. O Brasil não foi industrializado. E Itabira, inclusive, abriu mão de ensino por muito tempo”, afirmou. Segundo ele, o atraso fica evidente quando se observa que a cidade só passou a ofertar cursos de engenharia a partir de 2010. “Um absurdo isso”, completou.

Mineração circular, briquete e uso do rejeito: projetos possíveis para Itabira

André Viana aponta que existem tecnologias e projetos capazes de reposicionar Itabira no mapa da industrialização mineral. Um deles é a chamada mineração circular, que permite reaproveitar rejeitos de barragens, reduzindo riscos ambientais e gerando novos produtos. “O rejeito pode ser remunerado. Você consegue eliminar barragem e ainda trazer valor agregado”, explicou. Ele cita aplicações já existentes em outras regiões, como produção de vidro plano, tijolos e blocos a partir do material descartado.

Outro ponto defendido por Viana é a inclusão de Itabira na rota do briquete — produto que substitui a pelota e reduz emissões de carbono nas siderurgias. Hoje, a Vale possui uma usina em operação no Espírito Santo e pretende expandir o modelo para outras regiões do mundo. “Por que Itabira não pode estar na rota do briquete?”, questiona

‘Antes tarde do que mais tarde ainda’

Viana defende que a discussão sobre industrialização precisa ser retomada com urgência e envolver todos os setores da cidade. “Antes tarde do que mais tarde ainda, diria algum frasista. Nós temos que recuperar essa discussão”, destacou. Para ele, o tema deve mobilizar trabalhadores da Vale, população, Prefeitura, Câmara Municipal, e até os governos estadual e federal que, segundo afirma, hoje não têm relação direta com Itabira em agendas estratégicas. “Itabira está isolada da autoridade estadual e federal. Não há conexão que busque isso. E isso é grave.”

Uma agenda que o Brasil insiste em postergar

Para Viana, o atraso industrial brasileiro não se limita ao minério de ferro. Ele ressalta que o país precisa deixar de ser exportador apenas de matéria-prima e passar a agregar valor em diferentes cadeias, como lítio, cobre, nióbio e terras raras. Ele cita inclusive declarações recentes do presidente Lula sobre o tema. “O Brasil não quer só exportar terras raras. O Brasil quer usar as terras raras para a industrialização”, disse, reforçando que o mesmo princípio vale para todos os minerais estratégicos.

Ao lembrar obras como o livro Itabira Iron, relançado pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), Viana destaca que a discussão sobre industrializar o minério de ferro em Itabira existe desde os primórdios da mineração na região, mas nunca se tornou política pública. “A principal lupa de Itabira hoje é pela atrasada, antiga industrialização da cidade, que não foi feita”, concluiu.

Exit mobile version