Cafés de variedades desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) conquistaram as três primeiras posições na categoria Café Natural, do 8º Prêmio de Cafés do Cerrado. O concurso, promovido pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado, contemplou as categorias “Natural” e “Cereja Descascado”. Os resultados foram divulgados no dia 29 de outubro.
O café da cultivar Paraíso MG H 419-1, produzido na Fazenda Londrina em Coromandel, conquistou a primeira colocação. Com isso, a saca de 60 Kg foi vendida a R$20.717. “Nós já esperávamos que este café alcançasse uma nota elevada. Pela qualidade e exclusividade, esperávamos que houvesse uma boa valorização do lote. Mas o valor surpreendeu, principalmente, pelas dificuldades impostas pela pandemia”, afirma o produtor Jorge Naimeg.
A segunda colocação foi conquistada pela Fazenda Cruzeiro, de Carmo Paranaíba, com a cultivar MGS Paraíso 2. O cafeicultor Enivaldo Marinho Pereira conta que conheceu a variedade por meio de um experimento do pesquisador Antônio Alves Pereira, o Tonico, que se aposentou recentemente. “Em 2010, recebi uma proposta do Tonico da EPAMIG para plantar 16 materiais diferentes e pude acompanhar o desenvolvimento dos cafés Paraíso. Após fazer amostras e colheitas, verifiquei o poder de qualidade e produção”.
Em terceiro lugar ficou a cultivar Topázio MG 1190, produzida pela Fazenda Jacu, de Cruzeiro da Fortaleza. A cafeicultora Maria Soraia Guimarães conta que ficou surpresa com a pontuação conquistada. “Venho de uma família de tradição cafeeira aqui do Cerrado. Tenho paixão pela cultura e investi bastante nos cuidados com a lavoura e em pós-colheita. Comecei a participar de concursos de qualidade no último ano e não esperava esses resultados tão rápido”, afirma.
Pesquisas da Epamig
O pesquisador da EPAMIG Gladyston Carvalho destaca que os ensaios para a validação das cultivares de café para a região do Cerrado testam nove materiais desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro da EPAMIG, em parceria com outras instituições que integram o Consórcio de Pesquisa Café, e três cultivares referência. O pesquisador informa que a cultivar Paraíso MG H 419 – 1, não participa dos experimentos por não ser adaptada à colheita mecanizada, embora seja uma referência em qualidade de bebida.
“Em função desta característica da cafeicultura na região temos recomendado a cultivar Paraíso 2, que é a melhor da EPAMIG para as condições de qualidade do Cerrado e está indo muito bem em praticamente todas as microrregiões. Temos outras como a Aranãs e a Ametista que se sobressaem em determinadas localidades. Podemos dizer, que até o momento, as cultivares Paraíso 2 e Topázio são as que têm apresentado adaptação mais ampla nas áreas avaliadas”, relata.
O superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Juliano Tarabal, explica que o concurso avalia a qualidade física e sensorial dos grãos em três etapas de classificação. “Neste ano tivemos uma nota de corte de 87 pontos, sendo que na Categoria Café Natural a nota do terceiro colocado foi superior a 89”, ressalta. Vale lembrar que cafés com nota 80 ou acima são classificados como especiais.
* Fonte Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais

