A retirada das pinturas do muro externo da Câmara Municipal de Conceição do Mato Dentro, no município de Conceição do Mato Dentro, provocou repercussão local e abriu debate sobre preservação da memória histórica em espaços institucionais. O mural, que homenageava personalidades marcantes da cidade, foi coberto de tinta branca após intervenção de manutenção predial realizada no início deste mês.
Segundo a Presidência da Câmara, a decisão administrativa foi baseada em avaliações técnicas internas da gestão patrimonial, que apontaram desgaste estrutural do muro externo, com comprometimento do suporte original das pinturas. De acordo com a Casa Legislativa, a aplicação de novo revestimento inviabilizou a preservação das obras naquele local específico, levando à retirada do mural.
As pinturas retratavam figuras reconhecidas da história conceicionense, como lideranças comunitárias, profissionais da saúde, educadores e personagens ligados à cultura local. Parte do painel foi mantida em área interna do prédio, onde, segundo a Câmara, as condições físicas permitiam restauração.
A intervenção passou a ser questionada após a divulgação de um vídeo do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Claudinho Ziriguidum, que classificou a retirada como um apagamento simbólico da história local. No registro, ele relembra o contexto de criação do mural, iniciado em 2020, e cita nomes de homenageados, defendendo que a memória coletiva deveria ser preservada nos espaços públicos.
O episódio gerou questionamentos sobre a ausência de comunicação prévia com familiares dos homenageados e sobre os critérios adotados para a intervenção artística em um prédio público.
Em resposta enviada à reportagem do DeFato, a Presidência da Câmara informou que alternativas de preservação e restauração foram avaliadas, mas descartadas por inviabilidade técnica. Como solução, foi definida a reexecução das pinturas em novo suporte, a ser realizada pelo artista Hermânick Costa, que participou da execução original do mural.
A Câmara afirma que o novo projeto artístico já possui diretriz conceitual definida, mas que local, cronograma e formato de execução ainda dependem da conclusão das obras estruturais e de trâmites administrativos internos. A Casa Legislativa declarou que pretende dar publicidade às próximas etapas.
No posicionamento oficial, a Câmara reconheceu a importância do diálogo institucional e da participação social em iniciativas que envolvem memória e identidade cultural. Segundo a nota, a experiência servirá para avaliar a adoção de procedimentos de comunicação prévia e escuta social em intervenções futuras, quando não houver impedimentos técnicos ou emergenciais.
A Presidência também informou que o Legislativo municipal desenvolve ações pontuais de valorização da memória histórica, como exposições e intervenções artísticas, e manifestou disposição em avançar na construção de diretrizes institucionais mais claras para a preservação do patrimônio simbólico, em articulação com artistas, sociedade civil e órgãos competentes.
Ao final da nota, a Câmara pediu desculpas a pessoas que se sentiram ofendidas pela intervenção e reafirmou que a retirada não representa o fim das homenagens, mas uma reorganização do projeto artístico, com a promessa de continuidade da memória cultural em novo formato.

