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Câmara: vereadores de oposição destacam crise interna na Prefeitura de Itabira

Câmara: vereadores de oposição destacam crise interna na Prefeitura de Itabira

Reunião da Câmara de Itabira na última quinta-feira - Foto: Gustavo Linhares/DeFato

A reunião da Câmara Municipal de Itabira, realizada na última quinta-feira (3), reservou discursos acalorados motivados por uma recente crise moral e política que atingiu a cidade. Os ataques preconceituosos recebidos pela professora Laura Souza, indicada ao cargo de secretária de Educação, foram duramente criticados pelos vereadores. Porém, parte dos parlamentares de oposição também destacaram que esse caso teve início dentro da própria gestão Marco Antônio Lage (PSB) — evidenciado por um áudio vazado do vice-prefeito Marco Antônio Gomes (PL).

Nesse áudio, Gomes afirma que não foi consultado em relação à nomeação de Laura Souza, assim como não foi procurado para opinar sobre o projeto de lei 10/2022, que cria a Política Municipal e Conselho LGBTQIA+ de Itabira — o texto é de autoria de Marco Antônio Lage e já tramita na Câmara de Itabira. O vice-prefeito destacou que era contra às duas ações. Ele também afirmou que há “demônios” dentro do Executivo. Além disso, os vereadores lembraram que o deputado estadual Léo Portela (PL), outro pivô da crise moral e política, também é um apoiador da atual administração municipal.

Dessa forma, no entendimento dos oposicionistas, toda essa situação evidencia uma crise institucional no Executivo itabirano, colocando em lados opostos prefeito e vice-prefeito de Itabira. “Só pontuar a falta de sintonia do atual governo porque as críticas que foram destinadas à nossa amiga servidora [Laura Souza] saíram do próprio governo. O áudio que circulou na cidade é do vice-prefeito falando que não concordava [com a nomeação da Laura Souza] e o vídeo em que também fala que não concorda é do deputado [Léo Portela], que é do grupo do governo”, avaliou Neidson Dias Freitas (MDB).

“Então são pessoas do próprio governo que estão fazendo esse movimento contrário a uma nomeação do próprio prefeito. Isso é muito triste. Isso é uma pequena parcela da falta de sintonia dessa governo para a população itabirana enxergar. Então desejo muita sorte à nova secretária”, continuou Neidson Freitas.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato

Já Luciano Gonçalves dos Reis “Sobrinho” (MDB)  afirmou que é recorrente os casos de falta de diálogo do prefeito Marco Antônio Lage — e que vem gerando crises no Município. “Nós acreditamos no trabalho que será realizado pela Laura [Souza] na Secretaria de Educação e desejamos boa sorte para ela. Agora, algumas coisas vêm acontecendo e dá para perceber que na Prefeitura há um racha, o que nos preocupa. Vemos que o prefeito não discute projetos com ninguém, mas é necessário ter essa conversa no governo e os projetos precisam chegar a esta Casa com alinhamento”, disse.

“Exemplo é o presídio, que não veio por decisão unilateral do prefeito; a Febem [Centro Socioeducativo] que seria construído no Bálsamos e não foi porque a comunidade se manifestou, também foi decisão unilateral; o empréstimo, que foi barrado nesta Casa, não sentou com todos os vereadores para dizer onde seria investido o dinheiro. Então são coisas que vêm acontecendo com decisões unilaterais. Ele deveria ter procurado o vice-prefeito nesse projeto [10/2022], que terá ampla discussão nesta Casa”, completou Luciano Sobrinho.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato

No final da reunião, a vereadora Rosilene Félix Guimarães (MDB), em tom de desabafo, acusou Marco Antônio Lage de utilizar a comunidade evangélica para se eleger prefeito — mas que não tem dado espaço para que os evangélicos possam participar dos debates com o Executivo. “Se não há um racha, o que há? O prefeito usou a comunidade evangélica para ser eleito, pois escolheu um vice-prefeito que ele tinha a consciência que é evangélico, que é pastor, que é uma grande liderança em nossa cidade; [o prefeito] mobilizou toda a comunidade evangélica para apoiá-lo na sua empreitada. E esses pastores, que agora estão sendo julgados por toda a população, só queriam um espaço para que os seus valores fossem discutidos com eles antes dessa pauta chegar à Câmara”, declarou.

“Então houve sim um desrespeito de um governo, de um prefeito com o seu vice-prefeito que poderia ter sido ao menos comunicado do envio do projeto para a Câmara, que poderia ter sido comunicado de que a discussão teria sido provocada lá no ano passado pelo grupo de Itabira e isso não foi feito. Então há sim um problema interno e que não é um problema de comunicação, é um problema de autoritarismo de um governo que entende que decide as coisas sozinhos sem ouvir as pessoas que estão ao seu lado. E se ele não ouve o vice-prefeito da cidade, quem ele vai ouvir? Então nós que vamos ficar sofrendo com troca de secretariado todo dia, troca de comissionado todo dia, e aí?”, ressaltou Rose Félix.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato

Outro lado

O líder de governo, Júber Madeira (PSDB), em resposta às colocações dos parlamentares de oposição, garantiu que não há nenhum tipo de racha na gestão municipal.

“Só deixar bem claro. Embora possa dar essa sensação, não existe racha dentro do governo. As discordâncias e desentendimentos são naturais dentro do processo, sobretudo na administração de uma cidade. Agora, deve-se ponderar, como eu já disse aqui, enquanto lideranças o que vamos trazer como narrativa, devemos pensar e repensar antes de abrir a boca antes de falarmos de qualquer tema”, disse Júber Madeira.

Foto: Gustavo Linhares/DeFato

Perdeu reunião da Câmara de Itabira da última quinta-feira? Então confira no vídeo abaixo a íntegra da sessão plenária:

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