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Campanha de Lula monitora prisão de vereador do PT suspeito de envolvimento com o PCC

Senival Moura cumpre o sexto mandato de vereador- Foto: Divulgação/Rede Câmara

Integrantes da coordenação da pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficam apreensivos e monitoram o caso da prisão do vereador petista de São Paulo, Senival Moura, por suspeita de ligação com o PCC. A equipe teme que o episódio possa servir de brecha para o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, reforçar a estratégia de vincular o partido ao crime organizado.

Lideranças do PT nacional esperam que o diretório local anuncie a abertura de um processo disciplinar para expulsão de Senival como forma de amenizar a crise.

A prisão do vereador petista ocorre em um momento em que o governo Lula se mobiliza contra a decisão dos Estados Unidos, anunciada no dia 29 de maio, de classificação das facções PCC e CV como organizações terroristas. A medida teve aprovação do senador Flávio Bolsonaro. O presidente Lula criticou a medida norte-americana e viu nela uma ameaça à soberania nacional.

As suspeitas de envolvimento de Senival Moura com o PCC preocupam lideranças do partido há mais de uma década. O vereador está em seus sexto mandato.

O irmão de Senival foi expulso pelo Diretório Estadual do PT em 2014, o deputado estadual Luiz Moura, também por acusação de ligações com o PCC. A decisão atendeu a um pedido das campanhas, na época, à reeleição da então presidente Dilma Rousseff e de Alexandre Padilha, ao governo estadual, que temiam desgaste ao partido durante a campanha daquele ano.

O possível envolvimento de Senival com a facção já levantava suspeita nos bastidores do PT.

Vinculado à corrente majoritária CNB, o vereador conseguiu impedir a abertura de processos de investigação internos no partido e, na legislatura passada, encerrada em 2024, chegou a ocupar o posto de líder do PT na Câmara Municipal de São Paulo.

Em 2022, foi noticiado que Senival era investigado por envolvimento na morte de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A.  A investigação sobre esse assassinato levou a Polícia Civil e o Ministério público de São Paulo (MP-SP) a apontar o vereador como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

O episódio tem potencial para desgaste em um tema sensível em que o governo tenta se desvencilhar. Desde a classificação das facções como organizações terroristas, o Planalto tem se preocupado em não dar margem para ser acusado de defensor essas organizações, já que a maioria das pessoas entrevistadas em pesquisa recente, mostra que a maioria da população considera sim, o PCC e o CV como grupos terroristas. Levantamento do DataFolha divulgado nesta semana mostrou que 59% dos brasileiros concordam que as facções sejam classificadas dessa forma.

*Fonte: InfoMoney

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