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Campeão pan-americano de Taekwondo, itabirano transformou a inquietação em sonho pelo reconhecimento internacional

Campeão pan-americano de Taekwondo, itabirano transformou a inquietação em sonho pelo reconhecimento internacional

Foto: @eunafotosports

Em maio, o jovem Humberto Vinicius, de 19 anos, deixou o bairro Fênix, em Itabira, rumo ao Rio de Janeiro para disputar o Pan-Americano de Taekwondo. E não foi em vão. Na disputa ocorrida entre 6 e 10 de maio, o atleta conquistou o ouro. Mas ele quer mais.

Em entrevista à DeFato Online, Humberto contou a sua história e dividiu seu grande sonho: chegar à elite mundial do esporte que transformou inquietude em competição.

“Conheci o taekwondo pelo projeto social [Associação] Crianças do Amanhã [Asca], antes localizado no bairro João XXIII e hoje no Bálsamos. Desde pequeno, sempre gostei muito de ação, assistia filmes de luta com meu pai. Gostava muito do incrível Hulk, da agressividade dele, queria ser ele”, lembra.

Foto: Arquivo pessoal

Atleta desde os 15 anos, Humberto conheceu o taekwondo após se aventurar em outras áreas. Não deu certo. A verdadeira paixão seria descoberta aos 8 anos, com uma inspiração caseira.

“Meu irmão mais velho sempre foi um exemplo pra mim. Ele praticava muitos esportes por lazer, mas, ainda assim, quase chegou à faixa preta, mas teve que parar pra trabalhar. Ele me mostrava as faixas, medalhas, fotos e eu achava incrível. Meu pai primeiro me colocou no karatê, não gostei. Depois fiz uma aula de capoeira, também não gostei. Mas com o taekwondo foi amor à primeira vista”, conta Humberto Vinícius.

A partir dali, Humberto aprendeu não só a dominar o perfil agitado, como também a se descobrir como pessoa. “O esporte, para mim, significa um estilo de vida. O taekwondo, desde a infância, me ensinou coisas como disciplina, integridade, autocontrole, espírito indomável. E também foi essencial para meu crescimento, minha formação como pessoa, caráter e princípios. Sem contar a saúde física, fiquei muito alto pela prática de esportes. Já cheguei a fazer, ao mesmo tempo, Taekwondo, futsal e futebol de campo. Então sempre gostei muito de esporte e para mim é um estilo de vida que agrega muito física e mentalmente”, avalia.

Foto: @eunafotosports

Presente e futuro

Sobre a recente vitória, o taekwondista confessa ainda estar a assimilando. Ele também relembra outra participação na mesma competição há três anos.

“Ainda estou processando a conquista. Foi minha segunda disputa de Pan-Americano, o primeiro foi na República Dominicana em 2023, estava com a seleção brasileira. E como eu tinha participado daquela vez, eu já tinha um pouco de noção do nível dos atletas. O pan do Rio era aberto, não seriam obrigatoriamente todos os países da América. Mas havia atletas de ponta, apenas cabeças de chave”, afirma.

+ Atleta de Itabira entra para a história como campeão Pan-Americano de Taekwondo no Rio de Janeiro

Aos poucos, a ansiedade foi dando lugar à confiança na busca por uma medalha que, para Humberto, era uma meta inegociável. “Fui confiante, mas com certo receio, porque eu tinha me arriscado a participar deste campeonato mesmo sem ter condições financeiras. Pedi ajuda a amigos e familiares e consegui ir, mas pensando ‘preciso sair daqui com uma medalha’. Estudei as lutas e os adversários e à medida que as lutas foram passando e eu fui percebendo que estava mais perto do ouro, a realidade meio que se distorceu”, descreve.

“Sair do bairro Fênix, em Itabira, para ir ao Rio de Janeiro na Arena Carioca — onde aconteceram as Olimpíadas de 2016 —, pisar no tatame e levar a medalha de ouro para mim é coisa de filme”, completa.

Foto: @eunafotosports

Embora gigante, o feito não deixa Humberto em uma zona de conforto. O jovem itabirano agora deseja ser reconhecido fora do país e marcar seu nome na história do esporte.

“Meu maior sonho é chegar o mais longe possível. Quero chegar aos campeonatos internacionais e ter meu merecido reconhecimento. Já fui atleta da seleção duas vezes, ganhei campeonatos nacionais e até então não fui reconhecido como merecia. Não quero desistir desse sonho por questões financeiras. Desejo chegar nas Olimpíadas e não apenas estar lá, mas ser o melhor. Quero que as pessoas, mesmo depois que eu me aposente, lembrem de mim e pensem ‘não vai haver um atleta como o Humberto foi’”, finaliza.

Humberto Vinícius com o seu pai, Nelson,
e a sua mãe, Silvana – Foto: Arquivo pessoal

* Matéria redigida pelo jornalista Victor Eduardo.

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