Em pouco mais de um ano de funcionamento, os Cartórios de Notas de Minas Gerais impediram fraudes que somariam mais de R$ 20 milhões em transferências de veículos. Entre outubro de 2024 e julho de 2025, foram identificadas mais de 20 mil tentativas de negociação irregular por meio da Central Notarial de Transferência Veicular (CNTV).
A plataforma, criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Seção Minas Gerais e prevista em lei estadual, é de uso obrigatório para transferências veiculares no Estado. Ela permite consultar, emitir e imprimir a Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV-e) e o Certificado de Registro de Veículo (CRV), além de possibilitar o reconhecimento de assinaturas no formato digital, via e-Not Assina, integrado ao sistema e-Notariado.
Com acesso direto às bases de dados dos órgãos de trânsito, o sistema possibilita ao tabelião confirmar a autenticidade dos documentos e verificar se o veículo está apto para transferência. Isso ajuda a prevenir crimes como clonagem de placas, adulteração de chassi, transferências simuladas para encobrir veículos roubados e inserção irregular de dados nos sistemas do Detran.
A CNTV também oferece ao usuário a opção de receber um SMS com informações completas sobre o histórico do veículo, incluindo multas, pendências de IPVA e outras penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro. O serviço de verificação custa R$ 4,80 e pode ser solicitado diretamente em um cartório de notas de Minas ou pelo site.
Até 2020, o processo de transferência exigia assinatura e reconhecimento de firma no Certificado de Registro do Veículo (CRV). Em 2021, com a substituição pelo ATPV-e, o procedimento passou a ser totalmente eletrônico, mas a necessidade de segurança reforçou a criação da CNTV. Desde então, a ferramenta se tornou estratégica para proteger compradores, vendedores e o próprio Estado contra golpes e prejuízos financeiros.

