Webert Fernando de Souza foi condenado a seis anos e oito meses de prisão em regime fechado, pelo assassinato de Danilo de Castro Oliveira. O crime aconteceu em 3 de fevereiro de 2018, à rua Laurentino Fonseca, bairro Planalto, em João Monlevade. Duilio sofreu 15 a 20 golpes de faca, conforme relatório da autópsia. O corpo foi encontrado ao lado de um córrego, no mesmo bairro, cerca de oito horas após o crime. Uma irmã da vítima se exaltou após a leitura da sentença e precisou ser contida pela Polícia Militar.
O julgamento ocorreu na manhã desta quinta-feira, 15. O réu foi defendido pelo defensor público Bruno Braga Lima. A promotoria ficou a cargo de André Leite de Almeida. O julgamento foi conduzido por Rodrigo Braga Ramos. O júri popular foi composto por dois homens e cinco mulheres.
O acusado não quis responder o promotor. Ele apenas respondeu ao defensor público. Webert foi breve e disse que discutiu em um bar com Duilio, em dado momento brigou, pegou uma faca e “perdendo a cabeça, matei o Duilio”, relatou o réu. Familiares da vítima, presentes no julgamento, contestaram algumas informações do processo e foram repreendidos verbalmente pelo juiz.
Promotor descreve o crime
Iniciado os debates durante o julgamento, André Leite destacou que não houve divergência entre as testemunhas sobre o ocorrido. Conforme consta nos autos dos processos, Webert e Duilio chegaram a um bar junto em uma moto, tendo a vítima sido levada na garupa do autor. Após algum tempo, os dois iniciaram uma discussão, pois Webert tinha um colete refletivo, utilizado por mototaxistas. Ele havia comprado o colete pelo valor de R$150,00 mais a troca de um aparelho celular. O material havia sumido e o réu acusou a vítima de ser o autor do furto, fato negado por Duilio.
Os dois então entraram em luta corporal, tendo as testemunhas separado vítima e autor. Webert então foi à casa de uma prima que reside próximo ao bar, pegou uma faca e retornou ao bar onde Duilio estava. Novamente eles começaram a brigar e o réu desferiu golpes de faca na vítima. Os que estavam dentro do bar se esconderam dentro do banheiro. A vítima tentou fugir, saindo correndo, mas foi perseguido por Webert.
A dona do bar relatou em depoimento à polícia que quando viu Webert voltando, cerca de 30 minutos depois, perguntou a ele “onde estava o Neguinho”, como Duilio era conhecido. O réu teria dito então que teria matado ele. Webert foi à casa de sua mãe, pegou suas roupas e foi para Belo Horizonte, onde ele morava, sendo preso dias depois.
Defesa pede que pena não seja por homicídio qualificado
A defesa deliberou sobre o caso e defendeu que homicídio aconteceu não pelo furto do colete, mas sim pela luta corporal entre autor e vítima. Isso porque, caso fosse considerado que Webert matou Duilio por causa do colete, poderia configurar em motivo fútil e assim, em homicídio qualificado. A pena neste caso é maior. “O motivo foi o calor da emoção a partir de uma briga entre as partes. Naquele momento ele atingiu Duilio em partes vitais. Então peço apenas uma punição justa ao autor. Não foi um crime premeditado”, destacou o defensor.
Familiares contestam
Os familiares de Duilio estavam presentes no julgamento e, de forma incisiva, questionaram inúmeros pontos do processo. Em conversa com a reportagem, uma irmã da vítima destacou que cordões de ouro e outros pertences do irmão foram roubados. Além disso, ela alega que o irmão era muito maior que Webert e que sozinho, daria conta dele, destacando suspeitarem que o réu teve ajuda de familiares. O corpo de Duilio foi encontrado após mutirão dos próprios familiares.

