Menções ao nome do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fazem com que a Polícia federal (PF) leve o caso até o presidente da Corte, ministro Edson Fachin com novos pedidos de investigações.
Os jornalistas do UOL, Daniela Lima e Fábio Serapião apontam que o material abre ao menos três novas frentes de apuração e cita, além de Toffoli, pessoas com foro de prerrogativa de função no STF e também sem foro,
Segundo o apurado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou o material pessoalmente a Fachin, presidente da Corte, na última segunda-feira (9), e estaria agora aguardando o “encaminhamento técnico e jurídico” para cada uma das averiguações.
Entre os novos achados da PF há uma série de conversas entre o ministro e Vorcaro, acentuando a percepção de uma relação de proximidade entre ambos.
Toffoli tem sido alvo de críticas desde que começou a conduzir o processo no Supremo, após ter imposto sigilo sobre os materiais apreendidos, ter viajado em companhia de um dos advogados do caso e por ter familiares suspeitos de envolvimento com Vorcaro.
Defendendo-se das suspeitas, Toffoli afirmou a interlocutores que recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua parte no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia de Vorcaro.
A colunista Mônica Bergamo, da Folha, a explicação do ministro foi dada após a federal começar a apurar a transferência de recursos para ele em nova frente de investigação do caso Master.
É a primeira vez que Toffoli detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.
Conforme sua explicação, ele é sócio há muitos anos da Maridt, que seria uma empresa típica familiar e o seu nome não consta nos documentos públicos da empresa por ser uma Sociedade Anônima, e por isso somente o nome dos dois irmãos aparecem por serem os administradores.
A Maridt era detentora de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia sob controle do banco Master.
O Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do ministro Jhonatan de Jesus, restringiu o acesso do Banco Central (BC) aos autos do processo que apura a liquidação do Master. O BC só foi autorizado a ter acesso sobre o parecer da área técnica do próprio TCU.
O processo analisa como o BC conduziu a liquidação da instituição bancária, decretada pela autoridade em 18 de novembro.
Na quinta-feira da semana passada (5/2), o ministro alterou a classificação do caso de “sigiloso” para “sigiloso com exigência de autorização específica para leitura de peças”, segundo o ministro, com o objetivo de evitar vazamentos.

