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Chavismo conquista 85% das prefeituras em eleições municipais marcadas por boicote da oposição e baixa participação

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Flickr

O chavismo, representante do governo venezuelano, venceu a maioria das prefeituras nas eleições municipais realizadas neste domingo (27). A principal coalizão opositora optou por não participar do pleito, que ocorreu no mesmo dia em que coincidiu o aniversário da polêmica reeleição do presidente Nicolás Maduro, contestada por parte da comunidade internacional.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do governo, conquistou 285 das 335 prefeituras em disputa nas eleições municipais, incluindo 23 das 24 capitais estaduais, segundo projeção anunciada pelo presidente Nicolás Maduro. O líder chavista celebrou os resultados com apoiadores na madrugada desta segunda-feira (28) na Praça Bolívar, em Caracas.

– Vitória, vitória popular! – gritou Maduro. – Triunfaram a democracia e a paz, a união do povo.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão responsável pelas eleições na Venezuela e frequentemente acusado de parcialidade em favor do governo Maduro, divulgou uma participação eleitoral de 44%, equivalente a pouco mais de 6 milhões de eleitores. O dado contrasta com relatos de baixa movimentação em centros de votação em diversas cidades do país ao longo do dia de votação.

Em um período de doze meses, o presidente Nicolás Maduro consolidou seu poder na Venezuela ao conquistar a reeleição, obter o controle absoluto da Assembleia Nacional, vencer em 23 das 24 governadorias estaduais e, agora, assegurar a maioria das prefeituras no pleito municipal. Com esta ampla base de apoio institucional, o mandatário anunciou planos para promover uma reforma constitucional, cujos detalhes ainda não foram divulgados oficialmente.

Oposição

Setores da oposição venezuelana consideravam o resultado das eleições municipais como predefinido, acreditando que sua participação teria pouco impacto no pleito. A postura reflete as denúncias de irregularidades feitas pela coalizão opositora, liderada por María Corina Machado, durante as eleições presidenciais de 28 de julho. Na ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou Nicolás Maduro como vencedor sem divulgar os dados completos da apuração, conforme estabelece a legislação eleitoral do país.

A oposição venezuelana sustenta que seu candidato presidencial, Edmundo González, teria derrotado Nicolás Maduro nas eleições de julho, apresentando como prova cópias digitais de atas eleitorais publicadas em seu portal oficial. Atualmente, González encontra-se no exílio, enquanto a líder oposicionista María Corina Machado permanece na clandestinidade. Ambos têm convocado reiteradamente ao boicote eleitoral – estratégia já adotada nos pleitos para governadores, deputados e, mais recentemente, nas eleições municipais, todas vencidas amplamente pelo chavismo.

“O que aconteceu entre 28 de julho de 2024 e hoje?”, questionou Machado na rede X.

“Naquele dia, SETENTA por cento do país VOTOU EM EDMUNDO GONZÁLEZ e hoje, NOVENTA por cento disse NÃO A MADURO”, em referência ao que ela aponta como a taxa de abstenção

Tempos depois

Uma ala dissidente de Machado lançou candidaturas e, segundo Maduro, conquistou 50 prefeituras. “A nova oposição”, declarou o presidente, enquanto Machado os rotula de colaboracionistas.

A oposição venezuelana conseguiu manter três redutos históricos do antichavismo nas eleições municipais, mas perdeu o controle de Maracaibo, capital do estratégico estado petrolífero de Zulia. Enquanto isso, o presidente Nicolás Maduro deve liderar uma manifestação nesta segunda-feira (XX) para celebrar o aniversário de sua proclamação eleitoral – resultado não reconhecido pelos Estados Unidos e por mais de uma dezena de países.

“Maduro não é o presidente da Venezuela, e seu regime não é um governo legítimo”, declarou o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, em um comunicado, chamando o presidente venezuelano de líder de uma organização “narcoterrorista”.

Washington e Caracas continuam dialogando, mesmo com divergências. No último acordo, libertaram 10 americanos presos na Venezuela em troca de 252 venezuelanos detidos em El Salvador por vínculos com gangues.

María Corina Machado não possui compromissos públicos agendados para esta segunda-feira (XX). O cenário político mostra uma população desmobilizada, em um contexto de temor generalizado após a detenção de 2.400 pessoas em 48 horas durante os protestos contra os resultados das últimas eleições presidenciais.

“Se eles me pegarem, vão me fazer desaparecer”, disse a dirigente em um recente encontro com correspondentes. “Hoje não tenho dúvidas disso.”

*Com O Globo.

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