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Cheia no Amazonas afeta mais de 533 mil pessoas e coloca 40 cidades em emergência

Cheia no Amazonas afeta mais de 533 mil pessoas e coloca 40 cidades em emergência

Registro das enchentes no estado do Amazonas. Foto: Antonio Lima/Secom AM

Até a manhã deste sábado (5) a cheia do Rio Negro afetou mais de 533 mil pessoas, no estado do Amazonas. Dos 62 municípios, 40 encontram-se em situação de emergência e outros 18 estão sob alerta. O volume do rio atingiu hoje a marca de 29 metros de altura, segundo informações da Defesa Civil. Moradores de diversas cidades convivem com alagamentos em suas casas. Há um risco iminente de enchente.

O recorde histórico de cheia foi registrado em 2021, quando o nível do Rio Negro ultrapassou a marca dos 30 metros de altura. Embora o caso deste ano o volume não se assemelhe a esse marco, o fato é que deste vez a velocidade observada foi maior. É o que informa o secretário de Defesa Civil do estado,  coronel Francisco Ferreira Máximo Filho.

“Chuvas intensas afetaram o Estado nas últimas semanas e só não houve uma quebra nas altas históricas porque estamos vindo de um período de estiagem”, diz Máximo, em reportagem publicada pelo Estado de S. Paulo. De fato, em dezembro de 2024, o nível chegou a 12,11 metros, a menor mínima registrada.

Defesa Civil prevê a diminuição do nível Rio

Segundo a estimativa da Defesa Civil, o nível das águas deve se estabilizar nos próximos dias para, então, diminuir gradativamente. Essa previsão considera, inclusive, o volume de chuvas contínuas nos estados do Amazonas e Roraima. Atualmente, o estado do Amazonas conta com nove subdivisões das bacias hidrográficas (as calhas), todas em processo de cheia. O grau de emergência é tão significativo que apenas quatro municípios encontram-se livre de riscos.

Estudantes que não conseguem sair de suas casas em direção às escolas estão assistindo a aulas online. O mecanismo de suporte que garante a manutenção dos trabalhos de educação é o projeto Aula em Casa, que surgiu durante a pandemia e permanece ativo para ocasiões de cheia.

Mudanças climáticas

O período de cheia do Rio Negro geralmente se dá no período entre de março e diminui no mês de julho. Contudo, surge um alerta com a atual alta.  A Defesa Civil considera a possibilidade que eventos assim tornem-se mais comuns nos próximos anos. Na perspectiva do secretário de Defesa Civil, a causa deste fenômeno são os processos de mudanças climáticas. “Enquanto os acordos internacionais não forem cumpridos e não observarmos uma redução dos efeitos do aquecimento global, a tendência é que o mundo continue com esse desequilíbrio climático, de erosões fluviais a enchentes e estiagens”, diz Máximo. E completa: “Não devemos nos surpreender porque temos a convicção de que somos afetados pelas alterações no sistema ecológico”, acrescenta o coronel.

O secretário pondera que houve alertas do sistema de monitoramento da Defesa Civil, antes que ocorressem as inundações. Os municípios receberam o aviso com o risco de cheias. O estado do Amazonas dispõe de um comitê permanente de eventos climáticos extremos. “Estamos falando de um Estado que tem bastante déficit habitacional, problemas de saneamento e infraestrutura. Isso leva muitas pessoas a morarem em situação de vulnerabilidade, o que aumenta o risco nestes cenários de cheia”, pontua.

Contenção de danos

Para lidar com o problema, o Governo do Amazonas enviou 580 toneladas de alimentos, 57 mil copos de água e 10 kits purificadores de água aos municípios que mais necessitam de auxílio. Segundo o boletim diário do programa Operação Cheia 2025, também houve o envio de 72 kits de medicamentos e uma estação móvel de tratamento de água percorre as ruas de áreas afetadas.

Com informações da agência Estadão Conteúdo.

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