Como retaliação à expulsão do diplomata chinês, Zhao Wei, na última segunda-feira (8), a China, por meio do Ministério das Relações Exteriores, expulsou a embaixadora canadense Jennifer Lynn Lalonde nesta terça-feira (9). Foi dado a ela o prazo até o próximo dia 13 de maio para deixar o país.
As tensões diplomáticas entre os dois países existem desde 2018, quando da detenção do executivo da Huawei Technologies, Meng Wanzhou, e a resposta imediata chinesa prendendo dois canadenses em Pequim, sob acusações de espionagem. Os três foram libertados em 2021.
As rusgas recentes foram causadas por um relatório da inteligência, que acusou Wanzhou de tentar atingir um um legislador canadense que criticava o tratamento dispensado pela China à minoria muçulmana Uigure.
“Não toleraremos nenhuma interferência estrangeira”, disse a ministra das Relações Exteriores, Melanie Joly, na segunda-feira. A China se reserva o direito de responder mais adiante, disse o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
Em 2022, a China suspendeu uma proibição de 3 anos às importações de Canola, a maior safra do país americano. As restrições se seguiram após a prisão de Meng, mas a China alegou preocupações sobre pragas. A China é um grande importador de potássio e trigo do Canadá.
A agência de espionagem Canadian Security Intelligence Service (CSIS) fez um relatório em 2021 sobre a influência chinesa no país, que advertia sobre a ameaça potencial ao membro do Parlamento Michael Chong e sua família.
Os dados vieram à baila em primeiro de maio, quando o jornal canadense Globe and Mail denunciou que a China estava se informando a respeito da família de Chong na China, em um possível esforço para torná-lo exemplo e impediir que outras pessoas tomassem o governo antichinês posição.
Por seu lado, a China nega veementemente essa versão e diz que o relatório não tem base factual e é puramente infundado. Chong manifestou desapontamento e preocupação à ameaça potencial à sua família em Hong Kong e criticou o presidente Jacques Trudeau por inação.
Trudeau culpou a agência de espionagem por não lhe ter repassado as informações à época. A mídia canadense fez várias publicações mencionando fontes de inteligências anônimas, alegando supostas interferências chinesas nas últimas eleições do Canadá.
O próprio Trudeau havia dito anteriormente que a China tentou se intrometer nas votações de 2019 e 2021, mas que os esforços não obtiveram êxito.

