As chuvas registradas entre a quinta-feira (29) e a manhã desta sexta-feira (30) reforçaram o cenário de um janeiro acima da média histórica em Belo Horizonte. No período, a Defesa Civil municipal contabilizou 45 solicitações pelo telefone 199, a maioria relacionada a vistorias em imóveis particulares, com maior concentração de ocorrências nas regionais Venda Nova, Centro-Sul e Barreiro.
Os registros indicam que os principais impactos estiveram ligados a danos estruturais e instabilidades em áreas de encosta. Foram 16 casos de danificação de edificações e 12 ocorrências de deslizamento de encosta ou talude, o que aponta para a combinação entre solo saturado e chuvas persistentes como fator de risco predominante. Também houve registros de danificação e desabamento de muros, erosões e episódios pontuais de alagamento.
O volume de chuva acumulado nas últimas 12 horas evidencia a intensidade do episódio. Regiões como Pampulha (64,6 mm), Oeste (53,4 mm), Noroeste (52,6 mm) e Venda Nova (50,2 mm) concentraram os maiores índices no intervalo, representando até 19,5% da média climatológica mensal em poucas horas. Esse padrão ajuda a explicar o aumento de ocorrências em áreas com histórico de vulnerabilidade geológica e drenagem limitada.
No balanço do mês, os números reforçam a pressão sobre a infraestrutura urbana. Até a manhã do dia 30, todas as regionais, com exceção do Hipercentro, já ultrapassaram ou se aproximaram da média climatológica de janeiro, fixada em 330,9 mm. O destaque é a regional Oeste, que soma 472,2 mm, o equivalente a 142,7% do esperado para o mês, seguida por Barreiro e Centro-Sul, ambas acima de 117%.
Além dos chamados à Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros registrou 17 ocorrências relacionadas à queda de árvores na Região Metropolitana de Belo Horizonte nas últimas 24 horas. Seis delas atingiram veículos e 11 bloquearam vias públicas. Também foram atendidos quatro casos de alagamento ou inundação. Em um dos pontos mais movimentados da capital, uma árvore caiu nas proximidades do shopping Pátio Savassi, no bairro São Pedro, exigindo o desligamento da rede elétrica pela Cemig para a atuação das equipes.
O conjunto de dados indica que, embora os episódios de alagamento tenham sido menos frequentes do que os danos estruturais, o risco geológico segue como principal preocupação neste estágio do período chuvoso. A saturação do solo, após semanas de acumulados elevados, amplia a possibilidade de deslizamentos mesmo em chuvas de menor duração.
A Defesa Civil mantém o alerta para a continuidade das instabilidades. A previsão para esta sexta-feira aponta céu nublado a encoberto, com possibilidade de chuvas a qualquer hora, rajadas de vento e raios isolados, sobretudo a partir da tarde. O órgão reforça a orientação para que moradores de áreas de risco fiquem atentos a sinais de movimentação de encostas, como trincas em paredes, inclinação de postes e surgimento de água barrenta, e acionem o telefone 199 em caso de necessidade.

