O nível do Rio das Velhas no trecho que passa por Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), voltou a chamar a atenção nos noticiários. Por isso, a Defesa Civil municipal reforçou o monitoramento do manancial após a régua fluviométrica marcar 2,92 metros. O volume superou o nível ideal, de 1,90 metro, e já se aproxima do limite máximo de 3,90 metros, quando há risco de extravasamento e alagamentos.
No entanto, o alerta ocorre sem excesso de chuvas na Grande BH. Segundo dados técnicos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a região registra déficit de precipitação em relação à média histórica.
Rio das Velhas em Sabará vira foco de atenção
De acordo com a Defesa Civil, a elevação do nível do Rio das Velhas não decorre de chuvas contínuas ou acima da média. Na prática, o cenário resulta da resposta rápida da bacia hidrográfica a episódios concentrados de precipitação, principalmente em áreas a montante.
Além disso, Sabará está entre os municípios mais vulneráveis da RMBH. A cidade convive com histórico recorrente de enxurradas e alagamentos. Por esse motivo, áreas próximas ao leito do rio concentram maior risco.
Enquanto isso, o acompanhamento ocorre em tempo real. A equipe busca antecipar riscos e orientar ações preventivas. A partir de 3,90 metros, a água já começa a atingir áreas urbanas.
Chuvas acumuladas variam em Minas Gerais
Ao analisar os dados do IGAM, com base no produto de precipitação acumulada MERGE/CPTEC, observa-se grande variação dos volumes de chuva em Minas Gerais. O levantamento considera o período entre 1º e 20 de janeiro.
Nesse intervalo, os maiores acumulados, entre 200 e 300 milímetros, ocorreram no Sul de Minas, Norte do estado, Jequitinhonha, Vale do Rio Doce, norte da Zona da Mata, Oeste e leste do Triângulo Mineiro.
Por outro lado, em diversas áreas, incluindo boa parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, os volumes ficaram abaixo de 100 milímetros.
Grande BH registra déficit em relação à média histórica
Quando se compara os volumes registrados com a média histórica, o déficit na Metropolitana fica ainda mais evidente. A análise utiliza o produto de anomalia de precipitação (MERGE/CPTEC).
Segundo o IGAM, predominam desvios negativos na região. Isso significa que choveu menos do que o esperado para o mês de janeiro.
Em contraste, o Norte de Minas, o Jequitinhonha, o Vale do Mucuri e o Vale do Rio Doce apresentaram anomalias positivas. Nessas áreas, os volumes ficaram acima da climatologia. Ainda assim, outras regiões do estado também registraram chuvas abaixo da média.
Vazões mínimas seguem normais
No monitoramento das vazões mínimas, o IGAM informa que a maioria das estações fluviométricas apresenta condições normais. Dessa forma, não há comprometimento em relação aos limites definidos pela Deliberação Normativa CERH/MG nº 49/2015.
Como esperado, janeiro integra o período chuvoso na Região Sudeste.
Vazões máximas entram em atenção
Já no caso das vazões máximas, o cenário muda. Após as chuvas da última semana, diversos rios apresentaram elevação significativa.
Conforme dados do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE), várias estações atingiram a Cota de Atenção, que indica possibilidade moderada de inundação.
Além disso, alguns pontos já estão em Cota de Alerta, com risco elevado. Por fim, uma estação localizada na bacia do rio São Francisco alcançou a Cota de Inundação, quando os primeiros danos passam a ser registrados.
Atenção redobrada em áreas urbanas
Diante desse cenário, especialistas alertam que a combinação de chuvas irregulares, solo parcialmente saturado e urbanização intensa amplia os riscos. Municípios como Sabará respondem rapidamente a episódios de chuva concentrada.
Mesmo assim, eventos pontuais podem gerar impactos, ainda que haja déficit de precipitação. Por isso, o monitoramento segue contínuo. As informações orientam ações preventivas em todo o estado por meio dos sistemas SIMGE e MIRA.

